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25 de maio de 2015

Governo constrói e reforma escolas indígenas em Amarante do Maranhão

 Comunidade indígena do povo Gavião recebeu com festa ações do governo na região.

Por Rociléa Dourado

Grande Ilha - Dando continuidade às ações de melhoria na infraestrutura das escolas indígenas em todo o estado, o Governo do Maranhão, por intermédio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), entregou no sábado (23), uma nova escola indígena à comunidade da Aldeia Água Viva e a reforma da escola da Aldeia Riachinho, ambas no município de Amarante do Maranhão, localizado na Unidade Regional de Educação (URE) de Imperatriz.

Na aldeia Água Viva, o governo inaugurou a escola Crow.Cu, com duas salas de aula, secretaria e cozinha. Já à comunidade indígena de Riachinho, foi entregue a escola indígena El Pyr Creh Creht, totalmente reformada. O prédio possui quatro salas de aula, secretaria, sala de informática, biblioteca e cozinha.    

Representando a secretária de Estado da Educação, Áurea Prazeres, o adjunto de Gestão Institucional da Seduc, Wiliandickson Azevedo Garcia, destacou o compromisso do governo com o povo indígena. “Esta ação representa o compromisso do governador Flávio Dino em priorizar a educação indígena. Este governo não medirá esforços no sentido de atender com responsabilidade a demanda de um povo que historicamente foi esquecido. Mais que construir prédios, o compromisso desse governo é construir escolas de qualidade, escolas dignas que ofertem ensino de qualidade, prioritariamente aos estudantes, professores e todo o povo indígena”, ressaltou.

Além de servir como espaço de ensino e da aprendizagem da comunidade escolar indígena, o prédio também servirá para atender demandas sociais e culturais de diversas aldeias circunvizinhas da região.

“Nossos indígenas ao longo de séculos tiveram sua história e sua identidade sufocados por uma cultura não indígena. Portanto, a inauguração das escolas indígenas no município de Amarante e demais municípios do Maranhão é de fato possibilitar às garantias à educação a toda a população maranhense. O indígena hoje tem a certeza de que existe uma política própria no estado para fortalecer sua identidade. O governador Flávio Dino e a secretária Áurea Prazeres demonstram, de forma clara, em suas tomadas de decisões que respeita o povo indígena e que valoriza sua diversidade”, enfatizou a gestora da Unidade Regional de Educação (URE) de Imperatriz, Rosyjane Paula.

A liderança indígena do povo Gavião, da Aldeia Riachinho, Joel Martins Gavião, elogiou o empenho do governo para entregar a obra de construção e reforma das escolas e a presença dos representantes do Estado na comunidade indígena. “Hoje é um dia importante para nós indígenas. Estamos satisfeitos, principalmente pela presença de representantes do governo em nossa comunidade. Estamos sendo valorizados, prestigiados, com a entrega dessas obras que tem como objetivo melhorar a educação indígena,” destacou.

Foto: Divulgação
BNC Educação

22 de abril de 2015

Governo investe em melhores condições para educação indígena

Grande Ilha - Com o intuito de melhorar a educação escolar indígena, o governador Flávio Dino determinou a construção de um plano de ação para a educação indígena que respeite a diversidade étnico-cultural dos povos que vivem em áreas abrangidas pelas cinco Unidades Regionais de Educação. Para maior eficiência das ações, o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), estabeleceu diálogo permanente com professores e lideranças indígenas de todo o estado.

A educação escolar indígena no Maranhão é caracterizada pela diversidade dos povos pertencentes a nove grupos étnicos diferentes: Krikati, Pukobiê (Gavião), Ramkokamekra (Canela), Apaniekra (Canela), Tenetehara /Guajajara, Ka’apor, Awá/Guajá, Kreniê e Krepunkatejê. Em todo o estado existem 954 professores indígenas e não indígenas lotados em 282 escolas indígenas de 1ª a 8ª séries do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, distribuídas em cinco Unidades Regionais de Educação.

As discussões sobre o modelo de educação indígena tiveram início na última semana, na cidade de Imperatriz, quando a secretária de Educação, Áurea Prazeres, se reuniu com os povos Krikati, Gavião, Canela e Guajajara. Na ocasião foram dados vários encaminhamentos que contemplarão reivindicações antigas das comunidades, como criar uma comissão que analisará e organizará o processo de Regularização do Conselho Indigenista, com base na portaria do Governo do Maranhão que institui a reativação do Conselho.

Também ficou determinada a elaboração de um decreto para regularização das escolas indígenas no estado, uma vez que apenas 19 das 282, são reconhecidas pelo Conselho Estadual de Educação.

“A partir dessa regularização será criada a função de gestor escolar que vai permitir a criação do Sistema Integrado de Escolas Públicas Indígenas - SIAEP Indígena, que vai atender as peculiaridades da educação nas aldeias do Maranhão. A falta de regularização das escolas indígenas impede que as ações mais estruturantes cheguem até elas e atrapalha o processo de melhoria da educação. Então é compromisso do governador Flávio Dino regularizar as escolas indígenas, para que essa história seja mudada. Educação de qualidade é dever do estado e é direito de todos. Portanto, é direito dos povos indígenas”, enfatizou a secretária Áurea Prazeres.

Outras medidas definidas para garantirem a qualidade na educação indígena foram: a organização do cronograma de manutenção, reforma e construção de escolas; regularização da compra de material escolar indígena, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que contempla unidades de educação indígena com até 50 alunos e que não têm caixa escolar; foram concluídas as diretrizes curriculares indígenas, para elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas, que vai garantir a formação continuada dos professores indígenas e para isso está sendo firmada parceria com a Universidade Estadual do Maranhão (Uema); está sendo garantida também a formação inicial de professores por meio do Programa Intercultural Indígena; foi anunciado ainda a realização de concurso público específico para professores indígenas; ale, da garantia do atendimento do Ensino Médio no respectivo território.

Magistério Indígena

Em fase de ajustes metodológicos, técnicos da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e representantes da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) estão trabalhando no projeto de instalação do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, que deverá ser ofertado para aproximadamente 250 professores indígenas do estado.

“O curso está focado no estudo dos avanços qualitativos da política educacional dos povos indígenas maranhenses, visando a formação superior de professores indígenas e a qualidade do ensino nas aldeias”, explicou a supervisora de Educação Indígena da Seduc, Gildete Elias Dutra.

No mês de março, 47 professores indígenas receberam formação em leitura, escrita e letramento em todas as áreas, alinhada às especificidades pedagógicas da educação escolar indígena. A capacitação foi ministrada por profissionais com experiência na área de linguística e educação indígena. O formador indígena Ivan Lopes Guajajara, da Aldeia Arimi, em Grajaú, frisou que a educação indígena precisa de qualidade.

“Os professores precisam de formação e nós esperamos que essa capacitação qualifique os nossos educadores e melhore as escolas indígenas”, destacou Ivan Lopes Guajajara.

Reformas

Outra prioridade do governador Flávio Dino é a reestruturação física da rede de educação, como parte da garantia de uma escola digna para os estudantes maranhenses. No último domingo (19), duas das seis escolas indígenas que estão em processo de reforma e ampliação foram entregues pelo Governo do Estado. Situadas na Unidade Regional de Educação de Barra do Corda, os prédios escolares foram entregues às comunidades indígenas das aldeias Rio Corda (Escola Indígena Manoel Assis Cruz – Tuxauhu) e Patizal (E.I Juliana Rodrigues Guajajara), beneficiando mais de 600 estudantes indígenas.

Nesta semana o Governo do Maranhão entregará também as seguintes escolas indígenas que passaram por obras de reforma. São elas:

- Escola Indígena Bom Paraíso (Aldeia Paraíso). Objeto: reforma escola 01 sala;
- Escola Indígena São Benedito (Aldeia Pedrinhas). Objeto: reforma escola 02 salas;
- Escola Indígena Betel (Aldeia Baixão do Peixe). Objeto: reforma escola 02 salas;
- Escola Indígena Iran Pereira da Silva (Aldeia Boa Esperança). Objeto: reforma escola 01 sala;

BNC Educação

19 de abril de 2015

Eliziane pede rejeição à PEC 215 e defende direitos de povos indígenas

Brasília - A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) pediu um basta à PEC 215/00, que transfere do Executivo para o Legislativo a decisão sobre a demarcação de terras indígenas.

Na sessão solene comemorativa ao Dia do Índio realizada nesta quinta-feira (16) realizada no Plenário da Câmara, Eliziane Gama destacou que o atual governo vai entrar para a história como o que menos demarcou terras indígenas. Ela também pediu sensibilidade dos demais colegas parlamentares para que a PEC 215 não seja aprovada e disse governo pode entrar para história como o que menos demarcou terras indígenas.

““Estes povos vem com esta luta legitima para dizer não à PEC 215, que é uma ação criminosa contra os índios do Brasil. Não consigo admitir direitos humanos pela metade! [...] Este governo é o que menos demarcou e que pode entrar para história deste país por isso. A vinda de vocês aqui é a demonstração real da resistência”, destacou Eliziane.

Na Sessão Solene que contou com a presença de Marina Silva e de várias autoridades foram debatidos diversos temas relacionados aos direitos dos povos indígenas, mas a tônica dos discursos foi o posicionamento contrário a PEC 215.   

O índio yanomami Davi Kopenawa afirmou durante a sessão que seu povo é sagrado. “Os brancos não conhecem meu povo. Só conhecem internet, não conhecem a realidade de quem vive na floresta. Nesta Casa está a cobra grande [PEC 215]. Nós viemos aqui defender o nosso direito. Temos que matar a cobra grande, matar e enterrar para não aparecer mais”, relatou.

PEC 2015

Nesta quarta-feira (15) a deputada também acompanhou Marina Silva e participou de assembleia no Acompanhamento Terra Livre, em frente ao Congresso Nacional durante a Mobilização Nacional Indígena que reúne representantes de povos indígenas do país na tentativa de sensibilizar os parlamentares para que os direitos destes povos sejam assegurados.

Eliziane Gama e Marina Silva acompanharam um grupo de lideranças indígenas de várias regiões do país que se reuniu com vários partidos para tratar da luta contra a PEC 215, que transfere para o Congresso Nacional a decisão sobre demarcação de terras indígenas no Brasil.

Na reunião com o PSB, o líder indígena do Povo Xucuru de Pernambuco fez um apelo à bancada do partido. “Não se trata de dinheiro, trata-se de vidas que precisam ser respeitadas”, enfatizou Marcos Xukuru.

A comitiva também se reuniu com Aécio Neves (PSDB) que reafirmou o compromisso com as comunidades indígenas assumido durante a campanha presidencial.   

O grupo também se reuniu com os deputados Rubens Bueno (PPS-PR) e Arnaldo Jordy (PPS-PA) que se comprometeram a debater o assunto com todos os parlamentares do PPS na próxima reunião da bancada, que será realizada na terça-feira (28).

BNC Política

12 de julho de 2014

Por que os índios lideram o ranking dos suicídios no Brasil? O Mapa da Violência


Entre os mais de 5 mil municípios brasileiros, a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no noroeste da Amazônia, ficou na primeira posição do rankingbrasileiro de suicídios. Fiquei surpreso por dois motivos. Primeiro, porque em 1998 estive nesse lugar inesquecível, cortado pelo Rio Negro e no meio da Floresta Amazônica. Mas a razão principal do espanto é que a população de São Gabriel é quase toda indígena.

Os novos dados do Mapa da Violência 2014 revelam que, entre 2008 e 2012, a taxa de suicídios na cidade foi de 50 casos por 100 mil habitantes, dez vezes maior do que a média brasileira. Entre os que se mataram, 93% eram índios. Oito entre dez se enforcaram. O suicídio por ingestão de timbó, raiz venenosa que causa sufocamento, foi o segundo método mais usado.

Além de São Gabriel da Cachoeira, outras cidades com assentamentos indígenas estão nas primeiras posições da lista dos suicídios, como São Paulo de Olivença e Tabatinga, no Amazonas, Amambai, Dourados e Paranhos, no Mato Grosso do Sul.

Nos últimos dez anos, entre 2002 e 2012, o Amazonas foi o estado onde o suicídio de jovens mais cresceu (134%). Lá, onde os índios representam 4,9% da população, 20,9% dos suicídios foram praticados indígenas, número quatro vezes maior que o esperado. A situação é parecida no Mato Grosso do Sul, onde a proporção de índios entre os que se mataram é sete vezes maior do que a fatia deles na população.

Em 2012, a ameaça de morte coletiva dos Guarani Kaiowá sul-mato-grossenses causou comoção nacional. É como se o processo, entre diversas etnias de distintas cidades, fosse ocorrendo agora em conta gotas.

Em época de Copa, o primeiro lugar de São Gabriel da Cachoeira no ranking dos suicídios não repercutiu nada nos jornais, internet e nas redes sociais. Acho necessário nos informarmos a respeito. Creio que esse fenômeno é semelhante, em alguma medida, ao que vivemos como nação nos últimos 500 anos. Ainda buscamos ser algo que não somos, negando nossas origens sem sequer compreendê-las. Essa crise de identidade, a meu ver, nos faz mais violentos.

São Gabriel da Cachoeira é a maior cidade do Brasil em extensão territorial, cem vezes maior que o município do Rio de Janeiro. No centrinho da cidade fica metade dos 30 mil habitantes, que começaram a chegar das zonas rurais e das aldeias principalmente depois dos anos 1990. Situação que vem provocando certo desconforto cultural e urbano típico das migrações intensas. A outra metade da população se divide em 750 povoados e aldeias. Do ponto mais distante de São Gabriel, leva-se até 12 dias de canoa pelo Rio Negro para se chegar ao centro. Tudo nessa cidade é surpreendente, ainda mais para um jornalista urbano que aterrissou por lá aos 20 e poucos anos de idade.

O município é um dos raros no Brasil com mais de uma língua oficial: português, nheengatu, baniwa e tukano. Conheci em São Gabriel um padre indígena, que usava batina, cocar (foto) e fazia paralelos inteligentes entre a cultura indígena e o cristianismo (As fotos foram tiradas por Ricardo Stuckert). “Jesus dizia que devemos doar ao próximo. Essa pregação comunitária tem muito a ver com a cultura indígena. Mais do que com a sua. Comparo os índios aos judeus, que durante anos lutaram pela terra prometida”, ele me disse.

O exército era formado por índios, os mais aptos a se embrenhar pelo mato e vigiar as fronteiras do Brasil com a Venezuela e a Colômbia. As escolas decretavam feriado no Dia da Formiga. Nos hospitais, havia pajés que trabalhavam com médicos para enfrentar a tuberculose. Fui a uma aldeia Yanomami e aspirei paricá, tipo forte de rapé que me foi soprado nas narinas pelo cacique (que está me pintando na foto abaixo). Era uma substância usada para rituais religiosos. O pajé (sozinho na segunda foto), que não falava português, ficou me olhando como se estivesse curioso para saber o efeito que o paricá exercia sobre mim. O índio fazia o papel de antropólogo, observando aquele jornalista deslumbrado no meio de sua aldeia. Tentei usar alguns gestos para lhe explicar o que eu estava sentindo. Acho que o pajé não entendeu, mas imitou meus gestos e acabamos dançando juntos no terrão da aldeia. Depois, todo pintado de vermelho e embaixo do sol quente, eu pulei no rio. Tinha um monte de indiozinhos em volta.











Minha matéria ficou entre ingênua e otimista. Fiquei em São Gabriel uma semana. Na Revista Veja (que em 1998 era muito diferente da de hoje, acredite…), eu descreveria uma cidade que parecia a caminho de encontrar, com sucesso, uma fórmula para misturar as visões de mundo indígena com a ocidental. Prefeitura, bicicleta, carro, televisão, em meio a um cotidiano mais integrado à natureza, onde os seres humanos são apenas mais uma das espécies na terra, assim como os bichos e as plantas. A crença na lenda da serpente criadora de todas as aldeias do Rio Negro. Espíritos, curumins, urucum, o Rio Negro, gentileza. Escrevi com a alegria de quem conheceu os índios mais de perto, em plena Floresta Amazônia.

Só que a realidade não costuma ser tão romântica quanto nossas projeções. Claro que tudo é muito mais complicado e difícil. As taxas elevadas de suicídio entre jovens indígenas são um dos principais sintomas dessa crise. No centro de São Gabriel, a cultura rural dos índios foi muitas vezes menosprezada e ridicularizada, já que desvinculada dos valores universais do crédito e do consumo levado a todos pela televisão e internet. Traçando um paralelo, me parece algo parecido com a crise de identidade nas periferias de São Paulo nos anos 1970 e 1980, quando as novas gerações urbanas negaram e ridicularizaram a cultura rural dos antepassados nordestinos e migrantes.

Na cidade de São Gabriel, as mulheres diziam preferir homens que não eram indígenas, como apontam investigações que tentaram entender essa epidemia. Muitos dos pais, ao casar seus filhos, se negavam a dar o nome indígena aos netos. Para as etnias do Rio Negro, o nome familiar está ligado à alma do indivíduo e existem aspectos sagrados que acabam se perdendo. A morte também é vista de forma diferente pelos índios, o que talvez contribua para essa escolha suicida.

Eu não tenho a pretensão nem a capacidade de apresentar respostas para esse triste fato. Mas acho fundamental levantarmos essa pergunta: por que os índios estão se matando em taxas tão elevadas? O debate é uma oportunidade para pensarmos também sobre o Brasil e nossa identidade errática, ainda em processo de construção.

Ok, posso até ser piegas, mas nada melhor do que um vídeo para encerrar a matéria. Música cantada por Maria Bethânia no documentário Doces Bárbaros, antecedida por uma bela entrevista em que as perguntas e o tom do repórter se parecem com Gregório Duvivier em um vídeo do Porta dos Fundos. A linda letra de Caetano é inspirada nos mergulhos antropofágicos dos modernistas, fonte constante de inspiração do poeta e cantor baiano. Como eles, também acredito que saber quem somos é mais importante do que saber quem devemos ser.

Oswald de Andrade, Darci Ribeiro, Gilberto Freire, Viveiros de Castro, para citar alguns, podem nos orientar na busca por essas respostas. Aqui vai uma pista sobre como os índios veem o mundo: “O chocalho do xamã é um acelerador de partículas”, como nos explica Viveiros de Castro, nessa incrível entrevista.

BNC Geral

22 de janeiro de 2014

MA-280 liberada por índios krikatis após 20 dias

Montes Altos - Depois de quase 20 dias interditada, índios krikatis liberaram a rodovia MA-280, trecho que passa pela aldeia São José entre as cidades de Montes Altos e Sítio Novo, a 70 quilômetros de Imperatriz.

Motoristas e passageiros que utilizam o trecho foram os principais prejudicados durante as manifestações. Quem viajava para Montes Altos não foi afetado, pois parava antes do bloqueio.

O movimento indígena causou diversos transtornos nas viagens intermunicipais. Para chegar ao destino, os caminhos alternativos chegavam a aumentar em quase 70 quilômetros.

No acordo firmado com os índios serão feitas melhorias na MA-280 em trechos que passam pelas aldeias.

Fonte: Difusora
BNC Maranhão

18 de dezembro de 2013

*Decisão definitiva de 5.000 indígenas Guarani e Kaiowá para Governo que não irão sair de sduas terras".

Diante de cincos ordem de despejo judicial contra os Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul (MS), o Aty Guasu divulgou uma carta direcionada ao Governo Federal, Justiça Federal e para todas as sociedades nacionais e internacionais do mundo, em que os cerca de 5 mil índios reafirmam que não sairão de suas terras.
Prevendo que o pior pode acontecer com a resistência, para eles, ficar em suas terras é questão de honra. "Decidimos resistir à ação de despejo e seremos mortos pela arma de fogo dos homens brancos ou policiais. Não há dúvida. Não iremos recuar nem um passo para traz, vamos resistir por questão de honra e profundo respeito aos nossos ancestrais", diz a carta.
Os índios ainda solicitam à presidenta Dilma e à Justiça Federal - que decretou a nossa expulsão - para "assumir a responsabilidade de amparar e ajudar as crianças, mulheres e idosos (as) sobreviventes aqui no YVY KATU que certamente vão ficar sem pai e sem mãe após a execução do despejo pela força policial", diz a carta.
Veja a carta na íntegra:
*Decisão definitiva de 5.000 indígenas Guarani e Kaiowá para Governo, 
Hoje no dia 12 de dezembro de 2013, nós 5.000 mil indígenas Guarani e Kaiowá do TEKOHA YVY KATU recebemos notícia de mais uma ameaça de morte coletiva, é a ordem de violência contra nós e despejo expedida pela Justiça Federal do Tribunal Regional de São Paulo-S.P.
Assim, claramente a justiça brasileira vai matar todos nós Guarani e Kaiowá. Mais uma ordem de despejo da Justiça Federal deixa evidente para nós que a Justiça do Brasil está autorizando o extermínio Guarani e Kaiowá, as violências, morte coletiva, sobretudo extinção e dizimação Guarani e Kaiowá do Brasil. 
Entendemos que em 10 anos, a Justiça Federal do Brasil já decretou várias vezes a nossa expulsão de nossa terra YVY KATU que significa que a Justiça do Brasil está mandando matar todos nós índios aqui no Yvy Katu. Já faz dois meses que retornamos comunicar à Justiça Federal e ao Governo Federal que nós comunidades voltamos a reocupar o nosso tekoha YVY KATU e recomeçamos morar no pedaço de nossa terra.
Avisamos também que não vamos sair mais de nossa terra YVY KATU, aqui morreremos todos juntos, aqui queremos ser enterrados todos. Essa é a nossa decisão definitiva que não mudamos nossa decisão. Já enviamos e reenviamos várias vezes ao Governo Federal e ao Ministro da Justiça, à Presidenta Dilma, ao Ministério Público Federal, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal. 
Hoje 12/12/2013, mais uma vez, encaminhamos a nossa decisão definitiva à Presidenta Dilma e ao Presidente do Conselho Nacional da Justiça e do Supremo Tribunal Federal para entender e atender os nossos últimos pedidos. Demandamos às autoridades federais supremas do Brasil as seguintes. Estamos reunidos 4.000 mil Guarani e Kaiowá aqui no tekoha YVY KATU para resistir à ordem de despejo, a nossa decisão é lutar até morte pela nossa terra YVY KATU, nem depois de nossa morte não vamos sair daqui do YVY KATU. 
Pedimos ao Governo Dilma e Presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa para mandar somente enterrar coletivamente todos nós aqui no tekoha YVY KATU. Nem vivos e nem morto iremos sair daqui de nossa terra antiga. Com vida ainda, antecipamos os nossos pedimos à Justiça, esse nosso direito de ser sepultado ou enterrado aqui no YVY KATU, esse pedido exigimos à Justiça do Brasil. 
Solicitamos ainda à presidenta Dilma, à Justiça Federal que decretou a nossa expulsão e a morte coletiva para assumir a responsabilidade de amparar e ajudar as crianças, mulheres e idosos (as) sobreviventes aqui no YVY KATU que certamente vão ficar sem pai e sem mãe após a execução do despejo pela força policial.
Uma vez que a Justiça Federal de Navirai-MS em novembro, já determinou o uso da força policial contra nossa vidas e luta, diante disso comunicamos à juíza federal que nós vamos resistir até morte à ordem de despejo, temos absoluta certeza que morreremos pela nossa terra YVY KATU, a juíza já está ciente de nossa decisão. Todas as autoridades também já estão cientes de nossa decisão que como povo nativo Guarani vamos lutar até a morte pela terra YVY KATU.
Hoje 12/12/2013, mais uma vez passamos comunicar ao juiz federal do Tribunal Federal de São Paulo que não vamos sair do tekoha YVY KATU, aqui vamos resistir e morrer todos lutando. De forma igual, comunicamos à presidenta Dilma. Pela última vez, avisamos a todos (as) que a partir de hoje 12/12/2013, começamos a realizar um raro ritual religioso nosso de despedida da vida da terra, essa é a nossa crença, um ato consciente de preparação da vida para a morte forçada pelas armas de fogo dos homens brancos, ou melhor, começamos a participar da cerimônia de aceitação e confirmação da saída forçada da alma do corpo e sua volta ao cosmo Guarani em função da morte forçada no campo da luta.
Esse é um dos rituais de despedidas da vida que raramente se realiza, mas hoje começamos a praticar. Começamos a participar desse ritual de aceitação da morte forçada e despedida da vida, das famílias e dos amigos (as), pois sabemos bem que a Justiça Federal está autorizando os homens brancos armados para atacar e matar nós aqui no tekoha YVY KATU.
Comunicamos a todos (as), pois nós Guarani e Kaiowá do YVY KATU decidimos a resistir à ação de despejo e seremos mortos pela arma de fogo dos homens brancos ou policiais. Não há dúvida. Não iremos recuar nem um passo para traz, vamos resistir por questão de honra e profundo respeito aos nossos ancestrais mortos no YVY KATU, decididos, vamos lutar e morrer pela nossa terra onde estão enterrados os nossos antepassados. Por essa razão, pedimos ao Governo e a Justiça para mandar enterrar nós todos aqui no tekoha YVY KATU, porque nem vivo e nem morto não vamos sair do tekoha YVY KATU.
Essa é a nossa decisão definitiva. Mais uma vez, convidamos a todas as sociedades nacionais e internacionais para acompanhar e assistir ao genocídio e a dizimação de 4.000 povo nativo Guarani e Kaiowá do YVY KATU pela justiça do Brasil por meio dos homens “brancos” POLICIAIS armados brasileiros aqui no Mato Grosso do Sul/BRASIL.
Tekoha Yvy Katu, 12 de dezembro de 2013
Comunidades Guarani e Kaiowá do tekoha YVY KATU-Japorã-MS-BRASIL
BNC Cotidiano

20 de julho de 2013

Parte de comitiva do Ministério da Saúde é resgatada em aldeia indígena

Uma ação do Exército e da Polícia Civil resgatou quatro pessoas da comitiva do Ministério da Saúde que havia sido feita refém hoje pela manhã (20) na aldeia Pé de Galinha, nas imediações do município de Barra do Corda. O grupo de cerca de 20 pessoas estava no local para entregar três viaturas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a comunidade, quando aproximadamente 200 índios de outras aldeias bloquearam a entrada e saída do local, em atitude de protesto.

 O secretário Especial de Saúde Indígena Antônio Alves, a secretária dele, o coordenador estadual de Saúde Indígena e uma jornalista — que não tiveram os nomes divulgados — foram liberados e já estão em um hotel. Segundo o delegado regional de Barra do Corda, Alexsandro Dias, os outros reféns dispensaram o resgate. "Eles eram lideranças indígenas e disseram que não havia necessidade, que poderiam negociar com os índios", afirmou. Ainda de acordo com ele, tudo ocorreu com tranquilidade.

Com Informações do G1 Maranhão 
BNC Notícias

Índios fazem comitiva de Ministério da Saúde refém em aldeia

Uma comitiva de aproximadamente 20 pessoas, formada por representantes do Ministério da Saúde, Fundação Nacional do Índio (Funai), Fundação Nacional de Saúde (Funasa)  e uma jornalista, está sendo feita refém na aldeia Pé de Galinha, nas imediações do município de Barra do Corda, desde 7h30 deste sábado (20).  No grupo está o secretário Especial de Saúde Indígena Antônio Alves. A informação é da Delegacia Regional de Barra do Corda.

A equipe estava no local para entregar três viaturas da Funasa para a comunidade indígena.  Segundo a polícia, cerca de 200 índios de outras aldeias teriam se dirigido ao local e, em protesto, fechado o acesso e impedido saída e entrada. Ainda não há informações sobre o motivo da manifestação.

De acordo com Alexsander Dias, delegado da Regional de Barra do Corda, os reféns não sofreram violência. A Polícia Civil tomou conhecimento do fato após alguns integrantes da comitiva, como um motorista e uma enfermeira, terem conseguido furar o bloqueio logo nos primeiros momentos da ação e se dirigido à delegacia.

Com Informações do G1 Maranhão