São Luis - Em ano de eleições as pesquisas ganham
destaque relevante. E é sempre a mesma história: quem está na frente
adora, quem aparece atrás crítica e diz que tudo não passa de conversa
fiada.
Claro que a desconfiança nos números
aumenta quando a pesquisa é contratada por candidatos ou entidades
aliadas de candidatos com interesse em “aparecer bem na foto”.
Porém, não é porque foi contratada por quem tem interesse no resultado, que a pesquisa seja deliberadamente manipulada.
Mas, é evidente, que tudo pode
acontecer, e por isso mesmo não é demais lembrar que o TSE aplica multas
pesadíssimas em casos de manipulação nos números das pesquisas
eleitorais.
Para ajudar o leitor a entender um pouco mais sobre o universo que envolve as pesquisas, o Blog do Robert Lobato reproduz um “perguntas e respostas” sobre o assunto a partir do saite do Datafolha, um dos institutos mais prestigiados e respeitados do país. Confira:
O que é amostra?
Para conhecer o que uma determinada população (universo) acha sobre algo
ou como se comporta diante de alguma coisa, basta ao pesquisador
observar uma parcela com as características representativas desta
população. Quando realiza uma pesquisa para conhecer a intenção de voto
do eleitorado brasileiro, o Datafolha ouve apenas um grupo de pessoas
(amostra) cujas características (idade, sexo, escolaridade, distribuição
regional etc) traduzem o conjunto dos cerca de 136 milhões de eleitores
(universo).
Qual o número mínimo de entrevistas para uma pesquisa eleitoral?
As amostras nacionais do Datafolha têm entre 2.000 e 2.500 entrevistas,
mas não há tamanho mínimo ou ideal para uma amostra eleitoral. O mais
importante é a sua representatividade, ou seja, como são selecionados os
entrevistados.
Como são escolhidas as cidades onde vai ser realizada a pesquisa?
Nos levantamentos nacionais ou estaduais, primeiro são sorteados os
municípios que farão parte do levantamento; depois, os bairros e pontos
onde serão aplicadas as entrevistas.
Como são selecionados os entrevistados?
O Datafolha utiliza cotas proporcionais de sexo e idade de acordo com dados obtidos junto ao IBGE e Tribunal Superior Eleitoral.
As pesquisas eleitorais necessitam de algum tipo de registro?
Sim, em todos os anos eleitorais, a partir do dia 1º de janeiro, os
institutos devem fazer o registro das pesquisas presidenciais no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e, no caso de pesquisas estaduais, no
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de cada Estado. Esse registro deve
conter informações sobre quem contratou a pesquisa, o valor e a origem
dos recursos necessários, a metodologia utilizada e o período de
realização, entre outros dados. A pesquisa deve ser registrada na
Justiça Eleitoral até cinco dias antes de sua divulgação.
As pesquisas têm margem de erro?
As pesquisas buscam obter informações sobre um dado universo (por
exemplo, o eleitorado) através da análise de uma amostra (uma parcela do
universo). Os resultados obtidos com essa análise da amostra podem ser
generalizados para todo o universo dentro de certos limites. Esses
limites, dentro dos quais o erro é admitido, constituem a margem de
erro. Essa margem existe porque a amostra é sempre menor do que o
universo. As pesquisas nacionais do Datafolha, de forma geral, têm
margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Isso
quer dizer que cada um dos resultados (porcentagens) observados na
amostra pode apresentar variações em relação à população de no máximo
dois pontos percentuais.
A margem de erro é igual para todos os resultados?
Não. A margem de erro varia de acordo com o percentual obtido por cada
candidato. O Datafolha divulga a margem de erro “máxima”, isto é, a
margem de erro para percentuais próximos a 50%. Quanto mais distante de
50% for o percentual obtido por um candidato, menor será a margem de
erro.
O Datafolha faz pesquisas sob encomenda para partidos políticos?
O Datafolha não faz pesquisas sob encomenda para políticos ou partidos.
Todas as nossos levantamentos são realizados para divulgação e uso
público de grandes veículos de comunicação. Quando um meio de
comunicação contrata uma pesquisa eleitoral do instituto, uma de suas
obrigações é tornar público o resultado desse levantamento.
Onde posso encontrar os resultados dos levantamentos realizados separados por região?
O Datafolha disponibiliza neste site, na seção Eleições, tabelas com os
resultados de suas pesquisas para download. Essas tabelas são separadas
por segmentos, como, entre outros, sexo, idade, renda familiar e região
onde a pesquisa foi realizada.
Qual a diferença entre fazer entrevistas por telefone, pessoalmente nos domicílios ou pessoalmente em locais públicos?
É inviável realizar pesquisas eleitorais telefônicas no Brasil que sejam
representativas do total do eleitorado, já que apenas 40% dos
brasileiros possuem linha telefônica fixa em casa. Por isso os
institutos abordam os eleitores pessoalmente. No Datafolha, optamos por
fazer essa abordagem nas ruas, dada a dificuldade de, respeitando todos
os procedimentos necessários, ter acesso a residências localizadas em
condomínios, edifícios ou favelas. A metodologia do Datafolha pratica a
checagem simultânea dos questionários no momento das entrevistas e,
posteriormente, por telefone. Além disso há uma checagem comparativa dos
dados de cada pesquisador e de cada ponto pesquisado entre outros
processos de segurança e consistência dos dados. Uma das vantagens desse
método é a agilidade da coleta aliada ao rigor metodológico, atributo
importante para acompanhar a dinâmica dos processos eleitorais,
característica marcante do Datafolha.
Qual a vantagem ou desvantagem de utilizar cotas nas pesquisas?
Uma amostra representativa deve manter as características principais do
universo que pretende representar. Uma amostra estratificada por região
geográfica, por exemplo, mantém as proporções de cada região, de acordo
com a fonte oficial mais atualizada. No caso de população, pode-se
utilizar a estimativa populacional do IBGE que é atualizada a cada ano.
Se o universo é o eleitorado, existem dados exatos do TSE com o número
de eleitores aptos a votar em cada município após a data limite de
cadastramento. Da mesma forma, é possível utilizar cotas de sexo e faixa
etária, pois os dados disponíveis para todos os municípios (atualizados
no Censo de 2010, com estimativa do IBGE para 2011) não sofrem variação
significativa de um ano para outro. No Datafolha nós não utilizamos
cotas para variáveis como escolaridade ou renda familiar mensal, pois
não há dados atualizados disponíveis para os municípios brasileiros (a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, por exemplo, só traz
resultados por totais dos Estados e algumas regiões metropolitanas).
Numa
pesquisa na qual se usa cotas, como é feito o sorteio do universo
pesquisado? Pesquisas sucessivas podem usar sempre os mesmos
municípios/bairros sorteados?
Nas pesquisas eleitorais do Datafolha são utilizadas cotas referentes ao
sexo e faixa etária dos entrevistados na última etapa da seleção do
entrevistado. Nas etapas anteriores, os municípios e bairros
selecionados para a amostra são sorteados de acordo com um plano
amostral estabelecido. Os dados utilizados nas cotas vêm da fonte
adequada mais atualizada. Para a estratificação por região ou natureza
do município, por exemplo, são utilizados dados do Censo de 2010, com
estimativa do IBGE para 2011, quando o universo representado é a
população brasileira. As amostras podem ou não repetir municípios e
bairros. Alguns, como as principais capitais do país, sempre farão parte
da amostra. A cada nova amostra de pesquisa eleitoral, nós fazemos um
novo sorteio de cidades e pontos de abordagem, portanto o conjunto de
cidades e bairros é sempre diferente. Trata-se de um cuidado necessário
para evitar ações de partidos nos locais de pesquisa, e para evitar que
os mesmos moradores de um bairro, por exemplo, sejam entrevistados
diversas vezes, viciando a amostra.
Por que os institutos no Brasil não fazem pesquisas probabilísticas puras, sem cotas, como é comum nos Estados Unidos?
O objetivo das cotas é garantir a representatividade do universo que se
pretende estudar. No caso das pesquisas eleitorais, a amostra deve
refletir a distribuição do eleitorado segundo dados atualizados pelo
TSE. O tempo necessário para aplicar o método de forma correta no Brasil
não permitiria acompanhar o caráter dinâmico do processo eleitoral.
Além disso, os altos custos envolvidos nas pesquisas domiciliares com
método probabilístico puro inviabilizam a técnica no país. Nos Estados
Unidos, a maioria dos estudos eleitorais são feitos por telefone , com
controle do histórico de comportamento do eleitorado (se o entrevistado
foi votar em eleições anteriores, por exemplo). Mas mesmo lá pesquisas
feitas por telefone têm sido questionadas, já que uma parcela
significativa dos eleitores está trocando as linhas fixas por celulares.
É
correto ou faz diferença perguntar ao entrevistado sobre a popularidade
do governo e preferência partidária antes de começar a indagação sobre
intenção de voto?
O questionário é o principal instrumento das pesquisas e a ordem das
perguntas pode influenciar as respostas dos entrevistados. Assuntos
colocados antes da pergunta central da pesquisa, seja ela sobre a
aprovação do governo, confiança em algum político ou intenção de voto
podem afetar certas respostas. Por isso, em pesquisas eleitorais o
Datafolha adota o procedimento de não fazer perguntas que estimulem
nomes dos candidatos, partidos políticos ou avaliações de governo antes
de questões sobre intenção de voto.
Por
que o número de entrevistados varia de uma pesquisa para outra? No
Brasil, para uma pesquisa presidencial, qual é o número ideal de
entrevistas para aferir intenção de votos para presidente?
Não há um tamanho ideal de amostra. Amostras menores têm uma precisão
menor, ou seja, um maior erro amostral associado a elas. Ao definir o
tamanho da amostra, deve-se levar em conta o grau de precisão desejável
para analisar os resultados da pesquisa e também o detalhamento
necessário para leitura dos dados. No Datafolha, utilizamos nas
pesquisas eleitorais nacionais uma amostra com pelo menos 2.500
entrevistas. Isso permite uma segmentação dos resultados por região
geográfica, faixas de renda, escolaridade do entrevistado e outras
variáveis relevantes.
Qual
é o número mínimo de entrevistas por região e por Estado para obter
dados confiáveis sobre intenção de voto para cada um desses estratos?
Em qualquer segmentação de dados que se faça (por região geográfica,
sexo, escolaridade ou qualquer outra variável), é preciso ficar atento à
precisão das amostras em cada um dos segmentos resultantes. Quanto
menor o tamanho do segmento, maior o erro amostral associado aos
resultados nele obtido. Uma amostra de 2.500 entrevistas, por exemplo,
fornece bases razoáveis para leituras por região geográfica, mas não
pelos Estados. Se houver necessidade de leitura de resultados para
determinado Estado ou cidade, é preciso ampliar a amostra nessa região.
Em
geral, os institutos divulgam margens de erro fixas para a pesquisa
toda. Mas a margem de erro varia para cada candidato de acordo com o
percentual de cada um. Não seria melhor divulgar então a margem de erro
que deve ser aplicada ao percentual de cada candidato?
O Datafolha foi pioneiro na divulgação
de conceitos básicos da estatística, como é o caso da margem de erro. No
início, para melhor compreensão dos leitores da Folha, optamos pela
divulgação das margens de erro máximas, para o total da amostra. Além da
variação segundo percentual obtido, há também a variação segundo a base
de cada segmento da pesquisa. No entanto, o debate acadêmico ainda em
curso sobre a aplicação do conceito de margem de erro sobre amostras com
cotas fez com que o Datafolha, como a maioria dos institutos em todo o
mundo, optasse pela divulgação da margem máxima para o total da amostra,
isto é, para os percentuais próximos de 50%.
É correto fazer pesquisas reservadas para políticos e partidos políticos e também pesquisas públicas para divulgação?
Não é incorreto, mas o Datafolha adotou como política fazer pesquisas
eleitorais apenas para veículos de comunicação, estipulando em contrato a
obrigatoriedade da divulgação dos resultados gerais de intenção de
voto, assim como o acompanhamento de todo o processo eleitoral até a
véspera da eleição.
O
instituto deve divulgar os resultados completos na internet, com as
bases estatísticas, quando as pesquisas são produzidas para publicação?
Se sim, quando deve ser feita essa divulgação completa? Se o Instituto
acha que não deve divulgar os dados completos, por quê?
Desde a difusão da internet o Datafolha publica em seu site resultados
completos das pesquisas eleitorais que realiza – inclusive as bases
estatísticas e segmentações detalhadas do trabalho. As informações são
divulgadas no primeiro dia útil após a publicação dos resultados gerais.
Eleitores, partidos e institutos concorrentes podem dessa forma ter
acesso imediato aos dados para detalhamento das informações e eventuais
comparações de diferenças.
A
lei permite registrar uma pesquisa para divulgação apenas depois de
realizado o campo e conhecido o resultado. Embora legal, é correto esse
procedimento?
O Datafolha discorda deste procedimento e só registra suas pesquisas
antes de realizá-las. O procedimento abre a possibilidade de uso
estratégico das pesquisas eleitorais como instrumentos de marketing
político. Diante disso, entendemos que a pesquisa deixa de ser fonte de
informação para se tornar alvo de especulações, o que se torna nocivo
para a imagem do instituto.
Quanto
tempo depois deve ser divulgado o resultado de uma pesquisa já
concluída e tabulada? É correto esperar vários dias para divulgar depois
de concluída a pesquisa?
O mais rápido possível. A pesquisa é a fotografia de um momento
específico dentro de um processo dinâmico. Quanto mais demorada a
divulgação, maior são as chances do cenário fotografado mudar e os
resultados se tornarem defasados. Por isso, no Datafolha nós temos como
política divulgar os resultados das pesquisas tão logo seja finalizada a
coleta de dados.
BNC Eleições 2014