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3 de outubro de 2014

LISTA DO BOB LOBATO GERA CRISE NA BLOGOSFERA

Tem gente que até já ligou pedindo para ser retirado, mas caiu na net já era a repercussão está alta. 

Conheça, então, como vota a blogosfera da capital maranhense:
blogueiros1
blogueiros2PS: Caso algum blogueiro(a) queira fazer a retificação do voto, Bob Lobato aceitará numa boa.

Fávio Dino tem 49%, Lobão Filho, 32%, aponta Ibope

São Luis - Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (2) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto na corrida para o governo do Maranhão:
Flávio Dino (PCdoB) – 49%
Lobão Filho (PMDB) – 32%
Pedrosa (PSOL) – 1%
Saulo Arcangeli (PSTU) – 1%
Outros: 1%
Brancos e nulos: 6%
Não sabe: 11%
No levantamento anterior, realizado pelo instituto entre os dias 17 e 19 de setembro, Dino tinha 48%, seguido por Lobão (27%). Brancos e nulos eram 5%, e indecisos, 18%, enquanto que os demais candidatos somavam 5%. No primeiro levantamento divulgado pelo Ibope, no dia 6 de setembro, Flávio Dino tinha 42% e Lobão Filho, 30%.  A pesquisa foi encomendada pela TV Mirante.

Votos válidos
Levando em conta somente os votos válidos, Flávio Dino tem 59%, Lobão Filho 38%, Pedrosa 1%, Saulo Arcangeli 1%. Indecisos são 17% e outros 1%. Para calcular esses votos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos, e os eleitores que se declararam indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

Por este critério, segundo o Ibope, Flavio Dino deve ser eleito governador do Maranhão neste domingo (5).

Segundo turno
O Ibope fez uma simulação de segundo turno entre Flávio Dino e Lobão Filho. Os resultados são os seguintes:
Flávio Dino: 50%
Lobão Filho: 33%
Branco/nulo: 6%
Indecisos: 10%

A pesquisa foi realizada a pesquisa foi realizada entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2014. Foram entrevistados 1.204 eleitores. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de três pontos prevista.

A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob protocolo no MA-00062/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral sob protocolo no BR-00956/2014.

Fonte: G1 MA
BNC Eleiçõe 2014

23 de setembro de 2014

Antonio Pedrosa destaca mais uma vez no debate da Mirante

pedrosa2
Antonio Pedrosa

São Luis - O entrevistado do dia foi o candidato do PSOL, Antônio Pedrosa, que durante 1h30 respondeu a todos os questionamentos dos quatro jornalistas que participaram da sabatina. O candidato demonstrou que está preparado para governar o Maranhão.

Pedrosa tem discutido abertamente as propostas para o estado enfrentado a Mirante em todos os debates e colocado o saco amarrado daqueles que o questionaram durante sabatina. Jogando sempre casca de banana para o entrevistado, o mesmo conseguiu fechar cada ponto questinado.

Leia com Atenção o que Pedrosa falou de cada tema:

Plebiscito
“Nossa proposta continua sendo enfrentar esse desafio do plebiscito, estamos tentando desmontar essa polarização, mesmo sabendo que não é fácil, principalmente com o poder econômico muito forte de duas candidaturas. Queremos deixar claro que existe um grupo de esquerda bem diferente desses dois grupos que brigam pelo poder”

Pesquisas
“A pesquisa eleitoral no Brasil precisa ser questionada, pois elas são contraditórias. Em uma semana diz uma coisa, na semana seguinte diz outra. Além disso, existe um problema de cientificidade muito grande, principalmente nas candidaturas com menor poder econômico. O que sentimos nas ruas é superior o que apontam as pesquisas”

Diálogos
“O movimento Diálogos (realizado por Flávio Dino) foi campanha antecipada, pois foram eventos políticos feitos em locais abertos e com a população sendo levada por cabos eleitorais”

Meio-ambiente
“Nós apresentamos uma candidatura diferente da esquerda tradicional, como na questão ambiental. As candidaturas de Flávio Dino e Lobão Filho são similares também nesse sentido, pois atendem a demanda do agronegócio e nós pensamos diferente, defendemos a biodiversidade ambiental”

Conteúdo
“Eu tenho conteúdo, ao contrário dos outros dois candidatos que querem polarizar a disputa. Neles existe uma superficialidade muito grande quando se debate um assunto de relevância para o Maranhão”

Continuidade
“Não sei se serei candidato numa próxima eleição, mas não me espantei com o que vi, pois antes mesmo de entrar eu já sabia que era essa porcaria mesmo e é por esse motivo que luto para mudar essa realidade. Jamais iria me perpetuar, pois até contra a reeleição eu sou”

Colômbia
“É possível fazer um governo diferente sim. A Colômbia é um exemplo disso, lá houve um rompimento com a política tradicional e deu certo. Precisamos desse rompimento aqui no Brasil, pois continuando assim, a política irá continuar afastando a maioria das pessoas de bem, que possuem ojeriza desse modelo”

Legislativo
“Mesmo com um legislativo ruim é possível governar sim. Precisamos ter diálogo com o parlamento, mas sem cooptação, pois a conversa precisa ser pública e transparente”

Projeto de poder
“Existe sim um projeto de poder, pois quem acha que isso é um jogo de cartas marcadas não deveria nem disputar. Só vamos conseguir modificar esse cenário justamente através da política. Nós do PSOL trabalhamos para eleger parlamentares, pois esse é o primeiro passo para a transformação”

Promessas
“Não faço promessas, tenho visto um rosário de promessas, mas sem justificativas financeiras num Estado quebrado. É muito problemático se fazer promessas sem conhecer a realidade”

Presídios
“Lobão Filho e Flávio Dino não entendem nada de presídios, nunca molharam o sapatinho de couro deles com sangue de presos. Ou organizamos os presídios e resolvemos o problema do sistema carcerário, ou o reflexo será na segurança do dia a dia fora dos presídios. São situações casadas e indissociáveis. Como fomos incompetentes com o problema do sistema carcerário, hoje sofremos com esses atos comandados de dentro dos presídios”

Segundo turno
“O meu posicionamento pessoal eu já tomei. Não gostaria de ver minha imagem colada ou associada a nenhum dos dois candidatos. O Flávio Dino fez uma guinada muito perigosa para o mesmo lado onde já estava Lobão Filho e acabou fazendo alianças desaprováveis. 

O PSOL deve deliberar coletivamente, caso tenhamos um segundo turno”

Com Informações do Blog Jorge Aragão
BNC Eleições 2014

18 de setembro de 2014

Confira a agenda do candidato Antonio Pedrosa


Dia 18/09 – Quinta
9h00min – Pedrosa participa de entrevista de Rádio Educadora AM
15h00min- Pedrosa participa de caminhada na Rua Grande

Dia 19/09 – Sexta
8h30min - Pedrosa reúne com assessores e grava programa de TV e Rádio
16h30min- Pedrosa participa de plenária regional da CONAC no sítio Pirapora
19h – Pedrosa participa de visita ao Terreiro de Pai Euclides

Dia 20/09 – Sábado
8h30min - Pedrosa participa de panfletagem na feira do Anjo da Guarda  e carreata na área Itaqui-Bacanga
12h- Pedrosa participa da “Feijoada do 50” no Turú
22h – Pedrosa participa de debate na TV Maranhense - BAND

Dia 21/09 – Domingo
8h30min - Pedrosa  participa de panfletagem na rotatória da Cohab/Cruzeiro do Anil

Dia 22/09 – Segunda
8h30min – Pedrosa reúne com assessores e grava programa de TV
16h00min- Pedrosa participa de panfletagem na rotatória da Av. Guajajaras/ Cidade Operária

Dia 23/09 – Terça
8h00min – Pedrosa participa de entrevista na Rádio Mirante AM
16h00min- Pedrosa participa de panfletagem na rotatória do Bacanga

BNC Eleições 2014

25 de agosto de 2014

Bandeiraço do PSOL no Maranhão marca agenda de Pedrosa

Pedrosa em bandeiraço na capital

São Luis - A candidatura de Pedrosa agita capital maranhense e leva para as ruas "não recebo um real tô na rua por um ideal" candidato que cresce na campanha a partir dos debates que vem participando e demonstrando um entendimento do que è a verdadeira politica no estado do Maranhão.

A outra frase que marca o candidato é "nem seis nem meia duzia ", isso tem sensibilizado os eleitores e em uma proxíma pesquisa pode surtir efeito, já que a candidatura do Antonio Pedrosa, é uma campanha do tostão contra o milhão.

BNC Eleições 2014

20 de junho de 2014

Comboio e Charco


Por: Pedrosa
No calor do processo criminal que apura a morte do líder quilombola, Flaviano Pinto Neto, convém relembrar dos casos semelhantes.
O advogado Robério Brígido e a fazendeira Iolanda Borges foram acusados de envolvimento na morte de Antonio G. da Conceição e Raimundo A. Filho, no dia 8 de julho de 2003, dois trabalhadores rurais, às margens da estrada que dá acesso a Bom Lugar.
O crime teve ínico com um litigio fundiário envolvendo a fazenda Comboio, de propriedade de Iolanda Borges. Uma comunidade inteira de trabalhadores se envolveu, quando Iolanda tentou expulsar do imóvel um posseiro antigo e líder comunitário, Pedro Mota, sem nenhum direito. Pedro Mota alegava ter um a cordo de moradia com o proprietário anterior, que foi marido de Iolanda Borges, mas veio a falecer. Iolanda não cumpriu o acordo e tinha a intenção de vender as terras, com a orientação do namorado, Robério Brígido.
Pedro Mota ajuizou um ação de usucapião contra Iolanda Borges, que, por sua vez, propôs ações possessórias, todas distribuídas para o então Juiz Raimundo Sampaio. O juiz expediu mandados de manutenção de posse e a fazendeira solicitou o apoio de jagunços, prontamente cedidos pelo então prefeito de Bacabal, José Vieira - porque trabalhavam com seguranças de festas promovidas pelo Município. Vieira também emprestou uma lancha. A secretaria de segurança pública mandou um helicóptero.
Logo depois do despejo, Robério entrou em cena, juntamente com os capangas. Atacaram o povoado na madrugada, mas não encontraram Pedro Mota. Seqüestraram, espancaram e assassinaram Antônio Gregório da Conceição e o menor Raimundo Filho de Aquino, de 17 anos. Os dois foram executados de joelhos, na estrada que leva a Bom Lugar.
O crime foi denunciado amplamante. A polícia conseguiu desvendar o crime e Iolanda, Robério, juntamente com os jagunços Alberto C. dos Santos, Reginaldo Mendes, Raimundo P. dos Santos, Antonio da Conceição e Moacir Figueiredo tiveram suas prisões decretadas. Robério esteve foragido, mas também foi preso. Mais tarde, o TJ mandou soltar Robério e Iolanda, que, até hoje, respondem o processo em liberdade.
Sabemos que Iolanda já não convive maritalmente com Robério e que foi impronunciada pela Justiça de Bacabal. Mais recentemente, a Promotoria de Justiça de Bacabal pediu o desaforamento do Júri para São Luís, o que foi deferido pelo Tribunal de Justiça.
Na época, várias mobilizações populares ocorreram na porta do fórum de Bacabal, exigindo a punição dos assassinos.
Antônio Gregório da Conceição e o menor Raimundo Filho de Aquino, de ossos brancos, onde quer que estejam enterrados, ainda aguardam a justiça dos homens.
BNC Notícias

21 de janeiro de 2014

Maranhão: para não omitir a verdade


São Luis - Depois que li dois artigos, no jornal Folha de São Paulo, da lavra de dois expoentes dos principais grupos políticos que disputam o governo do Estado, fiquei tentado a me manifestar. A uniformidade nos títulos dos artigos talvez denuncie as semelhanças (veja aqui o artigo de Roseana Sarney; e aqui,o artigo de Flávio Dino) nos dois campos políticos.
Não que não haja diferenças entre os dois articulistas, para além da capacidade intelectual, cujo referencial não pode ser o mais importante para uma análise das duas propostas políticas, em francas escaramuças. Elas se separam na base, mas se reconciliam no topo da pirâmide, representada pela coalização PT-PMDB.

Os dois não dizem novidades, evidenciando apenas o que interessa a cada um dizer, no momento da crise.

Cabe perguntar se a crise não está encrustada em algum lugar da política, visto que governos são obras de grupos de interesse. Convém indagar também, se, após quase 50 anos de domínio, o povo maranhense não consegue identificar as práticas desses grupos e a quem as mesmas beneficia, no explícito jogo do empurra, muito próprio de uma província pobre, que enriquece surpreendentemente seus profissionais da política.

O PIB, na cabeça da governadora, é a prova dos nove. É por ele que ela quer explicar o aumento da violência, ruborizando seus aliados de primeira hora no Planalto Central. Sobre nossa riqueza, não diz novidade, no entanto, Roseana. Mas há quase 50 anos, o objetivo principal do maranhense é vê-la distribuída para todos, não apenas para uma elite parasitária, comensal de palácios de luxo.

Flávio teria razão em falar do Maranhão de Verdade, se o seu grupo representasse com mais segurança a mudança política. Ele consegue, na verdade, emprestar sentido pejorativo ao termo Balaio - lembrança de mártires do povo dominado pelos interesses colonialistas - cunhado aqui como sinônimo de bagunça ideológica. Presenças incômodas, biografias corroídas, fazem entrever menos do que um grupo, mas uma verdadeira matilha.

Nesse sentido, cabe pesquisar por onde anda o valor republicano nos dois grupos. Um esforço de apertada síntese poderia identificar pontos de estrangulamentos, que funcionam como verdadeiros "grampos", que prendem os grupos de Roseana e Flávio Dino no mesmo roupão patrimonialista:

a) a mesma base ruralista, com nuances no trabalho escravo, agronegócio, madeireiros, pistoleiros e coronéis do latifúndio;

b) a mesma base na corrupção política e administrativa, na prática de agiotagem e na violência política;

c) a mesma matriz de desenvolvimento, trançada pelos grandes projetos de desenvolvimento, beneficiando grandes grupos econômicos, sob a coordenação do governo federal;

d) a mesma política de segurança, configurando um mesmo padrão de soluções: mais presídios, mas seletividade penal; ausência de uma nova politica antidrogas, que se contraponha à orientação norte-americana; mais repressão e menos transparência na gestão dos recursos;

e) a mesma base de sustentação política no Congresso Nacional: ruralistas, fundamentalistas, coronéis da política (Sarney, Collor, Maluf, Rena Calheiros, para ficar apenas nos mais queridos).

Para combater a doença, haveremos que lançar mão de remédios. Bactérias se combatem com antibióticos. Vírus, com vacinas. De igual modo, não se pode combater uma oligarquia, alimentando suas práticas. 

Fonte: Blog Pedrosa
BNC Maranhão

14 de janeiro de 2014

Comissão de Direitos Humanos vai à OEA após restrição nas visitas a presídio, afirma Eliziane

São Luis - A presidente da Comissão de Direitos Humanos e das Minorias da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputada Eliziane Gama (PPS), afirmou que recorrerá à Organização dos Estados Americanos (OEA), após ter sido impedida de visitar celas do Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

"Nossa intenção é enviar, conjuntamente com a OAB e a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, um documento à OEA relatando o grave fato que impediu nossa entrada nas celas de Pedrinhas", informou a deputada estadual.

Eliziane Gama e grupo formado por membros da Comissão de Direitos Humanos e da OAB e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos foram impedidos de verificar condições de celas durante visitas às unidades prisionais na sexta (10) e também impedidos de acompanhar a visita feita esta segunda-feira (13) por equipe de senadores.

“Os senadores não conhecem a estrutura física do Complexo e não havia com eles ninguém que acompanha os problemas do sistema. Todos que estavam com eles eram representantes do Governo do Estado. Quem garante que não houve direcionamento da vistoria?”, questiona Eliziane Gama.

A comitiva formada por deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Maranhão e integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teve autorização negada na sexta-feira (10) pelo secretário de Administração Penitenciária do Estado, Sebastião Uchôa. Segundo ele, a comitiva não teve acesso as dependências do presídio por questões de segurança.

As restrições do grupo maranhense de defesa dos direitos humanos se repetiram durante visita realizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, quando apenas um deputado da base governista acompanhou a visita dos senadores.

Eliziane afirmou que os tratados internacionais dão aos integrantes das comissões de direitos humanos a prerrogativa de ter livre acesso e sem aviso prévio aos estabelecimentos prisionais.

Ela lembrou que sempre trabalhou na Comissão de Direitos Humanos e já havia feito várias visitas ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas, quando foram verificadas as péssimas condições do local e os problemas de superlotação.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia do Maranhão também participou da elaboração de um relatório enviado, em novembro do ano passado, aos governos estadual e Federal sobre o quadro caótico registrado naquele estabelecimento prisional.

"Era uma tragédia anunciada. E novos episódios podem vir a acontecer novamente, caso não seja dada uma solução em definitivo para esta crise no sistema prisional maranhense", alertou Gama.

BNC Maranhão

13 de janeiro de 2014

BONDE ERRADO

São Luis - Lohanny, de 1 ano e meio, arrancava pela segunda vez a atadura que envolvia a mãozinha queimada; sua mãe passava por uma cirurgia de enxerto de pele em outro hospital; seu pai, Jadson, buscava informações sobre a esposa; sua irmã por parte de mãe, Ana Clara, chegava ao velório num caixão branco; e não muito longe dali o pai de Ana Clara, Wenderson, enterrava o próprio avô, vítima de enfarte ao saber da tragédia que atingira as duas famílias. Os Santos e os Sousas estavam aturdidos. Tomavam o velório e o cemitério pedindo bênção aos mais velhos e se abraçando em desalento, perguntando para onde vai o mundo quando jovens atiram gasolina em crianças e ateiam fogo em seguida, saindo pela porta da frente de um ônibus em chamas. 


Era a tarde de segunda-feira, três dias depois da "queimação" em São Luís. O advogado Luis Antonio Pedrosa caminhava com o ouvido grudado ao celular. Do outro lado da linha a irmã de um apenado rogava pela transferência do parente para a Cadet, a Casa de Detenção. Ali 9 foram mortos e 20 ficaram feridos numa rebelião em outubro. Mas a irmã insistia que o irmão estaria mais protegido em uma cadeia dominada pelo Primeiro Comando do Maranhão e não pelo Bonde dos 40. Pedrosa tentava explicar que não era simples assim: "Um agente penitenciário, um monitor ou outro preso pode espalhar o boato de que o moço é, sim, do Bonde", me diz. "Num dia em que vai pegar sol no pátio, matam ele. Não tem segurança nenhuma, não tem como se agarrar a nada."

Presidente em terceiro mandato da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA, Pedrosa já teria visto de tudo nos presídios do Maranhão: homens torturados, policiais inaptos, agentes corruptos, revistas humilhantes, chuços afiados e mais de um vídeo nauseante de mutilação. A diferença, nos últimos tempos, foi o aumento das mortes nos presídios do Estado e o vazamento do que há tempos andava fétido. "A sociedade comprou a cultura do extermínio e agora não sabe o que fazer com isso", afirma Pedrosa numa sala gelada da sede da OAB, no bairro do Calhau, onde se desenrolou esta conversa. Lá fora, a rua denunciava os 38°C de tensão de quem tinha de pegar transporte público para voltar para casa ou de quem precisava passar perto de um posto de combustível. Nas redes sociais rolava o viral de que os postos seriam os próximos a explodir, em mais uma ação das facções de Pedrinhas.

Por onde o senhor começaria a análise dessa crise do sistema prisional maranhense? Pela concentração de presídios na capital?
Há um caldo de motivações para isso, entre elas uma dívida histórica que se aprofundou muito neste governo. Faz mais de dez anos que as instituições que monitoram o sistema penitenciário prenunciam a falência desse modelo. É preciso descentralizar os presídios para que os presos do interior não sejam obrigados a vir para cá e se associarem a uma organização criminosa para se defender. O governo parou.

Por que parou?
Em entrevista recente, a governadora disse que o dinheiro foi devolvido ao departamento penitenciário nacional por causa de entraves burocráticos para a concepção dos projetos. A verdade é que não há gestão política preocupada com o problema prisional. Primeiro porque prisão não dá voto. Segundo porque ali estão os mais pobres. Terceiro porque há uma cultura que acha que os presos têm é que se matar dentro da cadeia, não é problema da sociedade. Mas hoje a sociedade está aterrorizada porque percebeu que essa violência pode fugir de controle. É o que está ocorrendo. E que era previsível que ocorresse.

A partir de quando a violência fugiu de controle? Houve um estopim?
Como o método de trabalho deste governo é sempre jogar a responsabilidade em alguém, nessa mesma entrevista a governadora responsabilizou, entre outros setores, um segmento corrupto dos agentes penitenciários, cujo presidente de sindicato na verdade está ligado ao grupo Sarney. É um sindicato que defende a tortura e foi ele quem entregou, em dezembro, um vídeo fajuto ao CNJ de um homem agonizando com uma perna esfolada, após suposta sessão de tortura em Pedrinhas.

A troco de quê o sindicato teria feito isso?
Com o intuito de derrubar o titular da pasta da administração penitenciária, Sebastião Uchôa, que defende a metodologia de presídio da Apac (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), entidade católica que propõe a gestão das penitenciárias pelos próprios presos. A Apac foi testada em São Paulo e Minas Gerais e diminuiu muito a violência e o índice de fuga. Essa visão de ressocialização entrou em confronto com esse segmento dos agentes penitenciários, ainda mais quando se descobriu a corrupção endêmica que havia dentro dos presídios. Uchôa substituiu os diretores ligados aos sindicatos e aí, coincidentemente, começaram as mortes. Claro que, se não houvesse facções, elas não tinham começado. Mas as facções foram organizadas com o apoio desses segmentos de agentes.

Há apenas duas facções no Estado inteiro?
São duas as principais: o PCM e o Bonde dos 40. O PCM é um regional do PCC, mas com métodos diferentes. Ele organizou os presos do interior do Estado a partir da Cadet, cujas lideranças foram para presídios de segurança máxima no sul do País e de lá voltaram afiliadas ao PCM. Aliás, é por isso que a transferência de cabeças para esses presídios não resolve. É uma estrela no uniforme, um galardão, que afirma uma lógica inversa para o senso comum. O preso com passagem em presídio federal volta articulado com facções nacionais e referenciado pela massa carcerária para liderança.

Como se articula o Bonde dos 40?
O Bonde dos 40 Ladrão, como eles se chamam, no singular, representa os presos da capital. Ele conseguiu rapidamente aparelhar um exército de associados e seus crimes são mais espetaculares em termos de violência que os do PCM. Mas já existe uma dissidência do Bonde, o Comando da Ilha, mais agressivo, atuando dentro e fora do presídio. E há os Anjos da Morte, um grupo diminuto, muito discreto e que não participou até hoje de rebelião nenhuma. Veja que qualquer triagem de presos se torna frágil diante dessa diversidade.

As mortes podem estar acontecendo também devido a uma triagem malfeita?
Sim, malfeita e precária, porque não é uma triagem científica que verifica o perfil do apenado, a trajetória dele, as incompatibilidades que acumulou ao longo da vida criminal. Isso exige equipes multidisciplinares, deveria integrar um serviço de inteligência para que essas informações pudessem ser socializadas a ponto de resgatar dados que a assistência social não teria previamente. Mas é realizada de forma amadora e produz morte.

Existem muitos presos aguardando julgamento no Estado?
Estamos entre os sete Estados onde o número de presos provisórios é maior que o de definitivos. É uma vergonha e um escândalo, que não diz respeito apenas ao Executivo, mas principalmente ao Judiciário. É a ele que cabe julgar, de forma célere, os processos criminais. E já morreu preso nas rebeliões cuja única acusação que pesava sobre ele era o não pagamento de pensão. Há pouco tempo também morreu um receptador de pneus. Antes do final do ano, encontrei em Pedrinhas um homem acusado de roubar um saco de cimento. Ele está lá correndo risco de vida, porque esses presos de menor periculosidade geralmente são alvo de violência.

Causou choque o vídeo em que três homens aparecem degolados no complexo. A prática da degola é comum nos presídios maranhenses?
Já tínhamos ocorrência de degola, mas em 2010 ela passou a ser sistemática, e um dos envolvidos era um índio guajajara. Ele tinha sido preso em Pedrinhas em razão de um homicídio no município de Barra do Corda, ainda muito jovem. Era a primeira vez que tinha saído da aldeia para visitar a cidade, onde teria se embriagado na companhia de amigos não índios e matado alguém durante uma briga. Em função do sotaque carregado, passou a ser estigmatizado no presídio, e se afirmou por demonstrações sucessivas de coragem e de violência. Segundo outros presos, ele teria iniciado o ritual macabro da degola, com as vítimas ainda vivas. Entrou por um crime que o manteria lá por 4 a 6 anos e já estava com mais de 20 de pena quando o encontramos. Foi transferido para um presídio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul. O ritual, enfim, passou a ser uma assinatura das facções, simbolizando o terror como espetáculo para divulgação de suas práticas e intimidação dos adversários. 

O senhor conhece mais vídeos de terror feitos em Pedrinhas?
Quando o juiz recebeu aquele vídeo falso do sindicato, eu disse que tínhamos vídeos piores. Num deles o preso teve o olho extraído e jogado ainda pulsando na direção de uma juíza que negociava as reivindicações; em outro abriram o tórax de um preso, tiraram o coração, deceparam seu pé e o colocaram dentro da cavidade. Entrar num presídio logo após uma rebelião é encontrar vísceras.

E por que não divulgaram essas imagens?
Porque essa inscrição de crimes era uma mensagem deles, e não queríamos ser instrumento para que chegasse à população. Mas eventualmente isso está no YouTube, como estão os raps do Bonde dos 40 sobre o imaginário do crime, que é o método deles de atingir a juventude, de cativar aqueles que estão completamente abandonados pelas políticas públicas. Somos a capital de Estado com a maior concentração de jovens, cerca de 40% da população. Essas pessoas são pobres, o direito à educação é constantemente violado, os colégios são de péssima qualidade e a perspectiva mais promissora na cabeça de um adolescente de periferia é integrar uma organização criminosa ou um grupo criminoso, porque pelo menos ali ele consegue impor o respeito que a sociedade não lhe dá. Isso é um fator que agravou sobremaneira a violência no Estado, e hoje as facções criminosas arregimentam nos seus quadros principalmente essa juventude.

O senhor acredita que a presença da Tropa de Choque no Complexo de Pedrinhas tende a arrefecer a violência?
Não, pelo contrário, pode até agravar. A polícia não foi adestrada para lidar com pessoas presas, a polícia foi adestrada para prender. Tem que dialogar com o preso a partir de outro referencial: a expectativa dele na prisão, os medos, os limites, a violência, que é outra lá dentro. O Brasil nunca investiu numa polícia desse tipo. A nossa é um fracasso em termos de atuação tendo como referencial a dignidade das pessoas. O referencial é a pressuposição de que o cara é bandido. E, sendo um bandido, tem que ser tratado como tal.

Com a morte de Ana Clara, esse referencial tende a ganhar força?
Isso aterrorizou mais ainda a população. Não à toa, o senador João Alberto estava no velório da menina, prestando condolências. Ele se notabilizou pela chamada Operação Tigre, que matou muita gente no sul do Maranhão, criminosos e inocentes. Um segmento da população, a do bandido bom é bandido morto, quer a volta dele. Isso tudo tem a ver com presídio. Somente uma visão como essa é que sustenta o modelo prisional do extermínio. Prisão é para morrer lá, abandonado.

Fonte: O Estadão 
BNC Segurança

11 de janeiro de 2014

PEDROSA FALA AO SEXTA - FEIRA QUENTE DO BLOGUEIRO ROBERT LOBATO

São Luis - Na primeira entrevista da coluna Sexta-feira Quente de 2014, o Blog do Robert Lobato tem o prazer de contar com a participação democrática do advogado, militante político e social, e destacado ativista dos direitos humanos Luis Antônio Pedrosa.
 
Pedrosa faz uma análise interessante, democrática e com rara causa de conhecimento técnico e político sobre a crise que o estado do Maranhão enfrenta na área da segurança pública e do sistema carcerário.

Na entrevista, o advogado fala ainda sobre os conflitos agrários e fundiários do Maranhão, avanços e desafios na área dos direitos humanos, atuação da OAB-MA e as responsabilidades do Governo Federal na questão da segurança.

Pré-candidato a governador pelo Psol, Luis Antônio Pedrosa relacionou suas principais bandeiras de campanha e revelou com quais partidos pretende enfrentar as urnas em outubro deste ano.

Comentou ainda sobre as semelhanças políticas, programáticas e pragmáticas que vê entre entre os candidatos Flávio Dino (PCdoB) e Luis Fernando (PMDB).
A seguir a íntegra da entrevista.

“É difícil pôr em prática qualquer projeto de mudança sério e efetivo com o grupo liderado pelo PCdoB, onde figuram personalidades políticas carimbadas da vida política do estado”

PEDROSA POR ELE MESMO
Eu sou um ativista de direitos humanos e advogado por profissão. Militei no movimento estudantil, fui coordenador do diretório acadêmico do curso de Direito, representante estudantil no colegiado e diretor do Diretório Central dos Estudantes da UFMA. Fui militante do Partido dos Trabalhadores até a crise de 2010, onde houve a imposição da coligação formal com o PMDB (do Grupo Sarney). A partir daí busquei contribuir para o fortalecimento de outro campo político, onde estou atualmente, porque defendo a disciplina partidária e compreendo que o PT e o grupo Sarney hoje são indissociáveis.

A JUVENTUDE
Sou filho de servidores públicos e por força do ofício de meus pais, morei em vários municípios do interior do estado. Convivi com pessoas de diferentes regiões e contemplei o sofrimento e a força do povo, desde a Baixada até o Gerais de Balsas. Vi o choque dos búfalos com os pescadores e a devastação do cerrado pelas plantações de soja. Caminhei a pé, subindo e descendo encostas, colhendo frutos de temporada, como o cajuí, o piqui e o bacuri, quando não a saborosa macaúba. Banhei nos rios, córregos e cachoeiras do sul do Estado, como todo menino travesso do interior. Confesso que dei trabalho para minha mãe. Andei misturado com pescadores, nadei nos rios Farinha e Maravilha. Atravessava, a nado, ainda muito pequeno as correntezas perigosas do rio Balsas. Convivi com pescadores, coletores e caçadores, ouvindo suas histórias, muitas vezes ao lado de meu pai. Nos mercados do interior vi a fartura e depois a fome chegar, com os grandes projetos de desenvolvimento. Vi nos comentários dos trabalhadores rurais, o fatídico desaparecimento do mutum, do jacu e da siriema, no cerrado. A queda abrupta na população dos jaçanãs, dos frangos d’água e das marrecas, nos campos alagados. Vi as cheias dos rios, as secas, os atoleiros nas estradas, a chuva no telhado de palha, a canoa singrando por entre mururus. Tudo isso como impressões fugidias que me marcaram na juventude e constituem a minha identidade de maranhense. Depois, por conversão do isolamento, fui estudante aplicado, mergulhado nos livros, mas sem desgostar da realidade do meu estado, de onde nunca saí e onde pretendo terminar meus dias. Gostei desde cedo de literatura, poesia e história, e, até véspera do vestibular, tinha dúvidas qual profissão seguir. Os estudos de história, ainda no colégio Marista, me aproximou de Marx {filósofo e ativista alemão Karl Marx] e da teologia da libertação e, depois do movimento estudantil e da militância de direitos humanos.

A OPÇÃO PELO DIREITO
O curso de direito foi escolhido, pela necessidade, sempre candente em mim, de influenciar a realidade que me cerca. Entendo que fazer o curso de direito é muito diferente de escolher a advocacia. Ainda nos primeiros períodos do curso de direitos fui estagiário da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, entrando em contato com a realidade agrária do Estado. Fiz minha formação no espaço da assessoria jurídica popular, com forte viés marxista, de formação de agentes populares, tendo como referencial a militância por direitos humanos. Eu simplesmente me percebi advogado na intensidade dos dias e anos, viajando por Comarcas do interior, defendendo comunidades ameaçadas ou vítimas de despejos forçados, posseiros, sem-terras, quilombolas, pescadores, extrativistas… O contato com essa realidade refez antigos laços de infância, reelaborando uma nova leitura de cenários, com a necessidade de sua transformação, a partir de uma visão crítica do direito e da sociedade.

“Pensei que a morte de Décio pudesse representar um marco importante para uma verdadeira inflexão ética sobre as atividades de um punhado de jornalistas”

O ENCONTRO COM A POLÍTICA
O movimento estudantil estabeleceu a ponte com a militância em direitos humanos e a militância em direitos humanos estabeleceu a ponte com a política. Nunca fui candidato e nem pretendi posto de comando em partidos políticos. A minha política sempre foi promover a cidadania e garantir que as pessoas tenham seus direitos respeitados. Nunca simpatizei com disputas pelo poder sem sentido. Para mim, um horizonte de paz e solidariedade sempre é necessário e é assim que imagino a nova política, como espaço de atuação de cidadãos de bem, onde o exercício da verdade seja condição para troca de reflexões apuradas sobre a realidade que se quer mudar.

 A QUESTÃO RURAL NO MA
Pelo quarto ano consecutivo, somos o Estado campeão em conflitos fundiários. O conflito fundiário significa violência, exclusão social, despejo forçado, pessoas sem moradia e terra para plantar. A reforma agrária deixou de ser bandeira para o campo político da esquerda que tomou o poder no plano federal. A cada ano que passa, o desempenho do governo federal míngua, em termos de desapropriações. O ano de 2012 já era o pior ano da reforma agrária na história do país. Pois bem, nesse ano de 2013, o governo Dilma conseguiu ser pior ainda. Segundo a CPT, o Brasil, nesse ritmo, precisará de mais quarenta anos para zerar o passivo de famílias acampadas. E eu digo que nessa conta não incluímos os chamados povos e comunidades tradicionais, como os posseiros, os quilombolas, os ribeirinhos e os extrativistas.

Mesmo no campo do crédito agrícola, existe um tratamento muito desigual, em relação à agricultura familiar, que recebe (via Pronaf) apenas 27, 5% do crédito rural, na década petista, enquanto que o agronegócio tem seus 72, 5%. A Dilma afirmou que era necessário estruturar primeiro os assentamentos, mas, no Maranhão, eles passaram o ano inteiro sem assistência técnica, travados pela burocracia do Incra. Já está bem claro que na coalização PT-PMDB o agronegócio continua a ser o principal interlocutor.

De fato, continuam os trabalhadores rurais no binômio Bolsa Família-Previdência, dois recursos que ainda são os mais eficientes para sustentar a população do campo no Maranhão. Isso é trágico porque não aponta para uma mudança de cultura, no sentido de emancipar e inserir no mercado de trabalho a população ativa do Estado. Somos o Estado com o maior número de beneficiários do Bolsa-Família (um pouco mais da metade da população), mas isso não impede que tenhamos os piores indicadores sociais.

Apesar da profunda transformação no campo maranhense, sobretudo, na duas últimas décadas (onde praticamos invertemos os índices de população rural x população urbana), continuamos a ser o Estado-enigma de um campesinato resistente, que constitui cerca de 1/3 da população economicamente ativa do Maranhão.

DIREITOS HUMANOS NO MA
É impossível festejar a realização dos direitos humanos num Estado conflagrado por uma crise social e política sem precedentes. Os indicadores sociais, nos mais diversos aspectos, dão a entender que a classe política do estado faliu. Não há sinais de boa governança e os dois principais paradigmas estão mergulhados no mesmo referencial, que caminha para o abismo. A crise na segurança pública atual é apenas a ponta do iceberg, que dormita suas bases no fundo de um oceano escuro da inércia, da omissão do patrimonialismo e do despreparo para a gestão pública. O mix ideológico é apenas o aperitivo da comédia política que se estabeleceu, no desespero de interesses econômicos que querem tomar de assalto o Estado, cujo exemplo mas significativo é a presença da agiotagem no financiamento das campanhas dos dois principais grupos em disputa.

Quando falamos em avanços em direitos humanos no Maranhão, temos que nos referir a um novo nível de luta e de organização do povo para reivindicar direitos e protestar contra as injustiças, onde os levantes de junho se somaram às mobilizações camponesas e indígenas e estudantis.

“O déficit de vagas foi agravado pela presença de organizações criminosas, produto da nova territorialização das quadrilhas advindas do sul e do sudeste, em busca de novas fronteiras criminais”

A OAB-MA
A atual gestão da OAB-MA representa um avanço político e de gestão. É um espaço compartilhado por muitas visões políticas e muitos perfis da advocacia, onde a preocupação com as lutas cívicas tem preponderado. A população tem nos procurado exatamente por esse potencial da entidade em formular demandas jurídico-políticas no hiato da atuação de outras instituições. Acredito que enriquecemos o cenário político atual e temos nos esforçado em agregar e somar esforços para fazer da OAB-MA um espaço para a realização da cidadania do povo maranhense, não apenas de defesa das prerrogativas dos advogados.

“GORILAS DIPLOMADOS”
Houve na verdade uma falsa polêmica. Um segmento do jornalismo, ligado à oligarquia, tentou pautar a expressão como dirigida a todos os jornalistas, num momento em que o senador José Sarney escrevera um artigo atribuindo ao jornalista morto [não sei o porquê, mas parece que Pedrosa não gosta muito de falar ou escrever o nome Décio Sá] o título de “defensor da democracia”. Eu me contrapus a isso porque luto historicamente contra o segmento da mídia que naturaliza violações de direitos humanos e faz da verdade um produto do mercado político, ao sabor das conveniências de cada facção. De igual forma e intensidade, luto contra a advocacia sem ética e contra qualquer segmento do meio social ou jurídico que viole direitos humanos. Portanto, não se trata de uma guerra contra o jornalismo ou contra os profissionais da comunicação, até porque tenho um bom relacionamento com a esmagadora maioria dos profissionais dessa área e entendo que a mídia tem um papel emancipador importante. Por isso mesmo, no início do movimento, advoguei para rádios comunitárias e defendo a democratização dos meios de comunicação.

Durante o percurso do inquérito [do assassinato do jornalista Décio Sá], muita gente compreendeu o porquê da polêmica e suas dimensões para o jornalismo no estado, sobretudo para a atividade dos chamados blogueiros, os quais nem sempre são jornalistas. Do outro lado, a pretexto de defender a memória de Décio {opa, citou o nome do finado], na verdade, havia a necessidade de afirmar uma prática jornalística, que considero questionável. A princípio, até pensei que a morte dele pudesse representar um marco importante para uma verdadeira inflexão ética sobre as atividades de um punhado desse profissionais no Maranhão, mas a conjuntura está cada vez mais difícil.

A CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA E NOS PRESÍDIOS
Embora alguns segmentos do meio jurídico resistam a uma avaliação generalizante, afirmo que a crise decorre também de um sistema, cuja teia se engendra no elevado crescimento da população carcerária no Brasil. Já somos a quarta população carcerária do mundo. Ela também tem um pé no seletivismo do Direito Penal brasileiro, historicamente direcionado para os mais pobres. O Maranhão bateu um recorte perigoso, porque aprofundou a crise do instituto da prisão com décadas de má gestão do sistema e de desarticulação das instituições do sistema de justiça criminal. Há cinco anos, tínhamos um percentual incrível de 70% de presos provisórios. Hoje, apesar de termos melhorado o índice, ainda estamos entre os sete estados da Federação com mais presos provisórios do que presos definitivos. Ao lado disso, encarceramos principalmente os negros, os usuários de drogas e a ponta de rama do narcotráfico.

Ao lado de tudo isso, temos a falência da gestão, tendo como ponto culminante o atual governo. O déficit de vagas foi agravado pela presença de organizações criminosas, produto da nova territorialização das quadrilhas advindas do sul e do sudeste, em busca de novas fronteiras criminais e da exportação de detentos para os presídios federais de segurança máxima. O terreno fértil da concentração de presos em São Luís, onde no interior e na capital passaram a disputar espaços de poder nos presídios, somado à corrupção endêmica do sistema, e a crise da segurança pública, produziu essa gigantesca bola de neve.

SOLUÇÕES PARA SUPERAÇÃO DA CRISE
A curtíssimo prazo é necessário manter a vigilância em cada um dos corredores dos presídios. Para fazer isso, seria necessário mobilizar mais gente. As novas unidades prisionais ainda vão demorar alguns meses. Isso significa que o governo pode sangrar mais, juntamente com os detentos.

Os ataques contra o sistema de segurança parece que continuarão até que se desbarate definitivamente a base estrutural das quadrilhas, algo que poderia ter sido feito com planejamento e estratégia, desde 2010, onde se constatou o início da estruturação desses grupos.

O problema é que sem efetivo e com a polícia investigativa fragilizada, tudo isso é mais difícil. A crise desafia o adestramento de monitores e de um número diminuto de agentes penitenciários, desmotivados, com um segmento mobilizado por uma ferrenha oposição ao titular da pasta.

Imagino que a médio prazo ainda teremos desgastes, com um processo de intervenção federal, uma denúncia perante a OEA e até mesmo uma possibilidade de federalização dos crimes caminhando junto com as notícias de mortes sistemáticas.

“Luis Fernando tem os latifundiários ao seu lado; Flávio tem o ex-presidente da mais violenta organização dos latifundiários contra os trabalhadores rurais”

PAPEL DO GOVERNO FEDERAL
Apesar de saber que nos últimos 20 anos a população carcerária do país aumentou em 380%, e determos a maior taxa de ocupação prisional (172%), dentre os países considerados emergente, o governo federal não abriu a discussão, no sentido de repensar a política prisional. Uma política de desencarceramento exige uma nova política de combate às drogas, incluindo possibilidades de legalização, redução de danos, reformas do ordenamento jurídico (cerca de 80% da população carcerária enquadra-se nos crimes contra o patrimônio), construção de pequenas unidades prisionais, descentralizadas dos grandes centros urbanas e mais próximas das famílias dos apenados, uma nova metodologia de ressocialização. O governo federal preferiu fazer mais do mesmo: construir grandes unidades prisionais, adestrar agentes penitenciários segundo a doutrina da militarização, promover intervenções em presídios com a Força Nacional de Segurança.

O GOVERNO ROSEANA SARNEY
Acho que houve uma renúncia velada. Não há vestígios de governabilidade, planejamento, coordenação, sincronia e articulação de políticas públicas. E temos sinais visíveis de turbulência no horizonte. A crise na segurança pública e nos presídios vai se somar aos protestos contra a Copa do Mundo exatamente no ano eleitoral. Atualmente, as chacinas do presídios romperam o tradicional bloqueio da mídia e alcançaram a opinião pública mundial, revelando as entranhas do domínio oligárquico. Fala-se em intervenção, mas ela já está em andamento, com o anúncio de uma plano emergencial e de um comitê gestor da crise, anunciado recentemente pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso. Houve uma intervenção branca no governo do Maranhão.

ADMINISTRAÇÃO EDIVALDO JÚNIOR
Eu acho que ele é ainda o principal entrave da candidatura de Flávio Dino.  Edvaldo reproduz o mesmo desempenho de João Castelo, com a agravante de ter que se aliar ao ex-prefeito agora, depois de tantos ataques truculentos. Um ano é tempo suficiente para um prefeito dizer a que veio. Ele tinha a desculpa de dizer que encontrou a prefeitura arrasada, mas agora, andando junto com Castelo, nem isso pode mais dizer. Para quem está no início do governo, a crise pode anunciar um estrangulamento pior do que o final da gestão de Castelo. Temos crise na saúde, crise na segurança (guardas municipais), crise no serviço público, na educação e na mobilidade urbana. A cidade continua esburacada, feia, mal cuidada e sem perspectiva de melhoras. O GPS,como era previsto, notabilizou-se como uma piada de mau gosto.

FLÁVIO DINO X LUIS FERNANDO: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS
Quando afirmo Flávio Dino e Luis Fernando têm mais semelhanças do que diferenças é a partir do campo político fundamental a que pertencem os dois: o campo PT-PMDB. Criticar o governo Dilma e suas políticas neo-desenvolvimentistas, os desvios éticos e o patrimonialismo significa criticar também Flávio Dino e Luis Fernando. No plano federal eles estão juntos, compartilham da mesma visão de governo. Essa divisão local, portanto, não é programática, é um simulacro de disputa que vai dar na mesma coisa ganhe quem ganhar, com pequenas variações em torno de uma nota só. A grande justificativa é a deposição do grupo Sarney, mas boa parte dos aliados de Flávio vieram desse campo, trazendo suas velhas práticas políticas e até seus escândalos políticos e biográficos. Então, é difícil pôr em prática qualquer projeto de mudança sério e efetivo com o grupo liderado pelo PCdoB, onde figuram personalidades políticas carimbadas da vida política do Estado. Na verdade, estamos diante de uma proposta de mudança, cujo núcleo dirigente é até mais conservador do que o do período Jackson. E sabemos das dificuldades do governo Jackson para levar a cabo as transformações que o eleitorado de oposição exige aqui no Estado. Quando afirmamos que têm mais semelhanças do que diferenças, bastar olhar quem está em volta de cada um: Luis Fernando tem Aluísio Mendes; Flávio Dino tem Raimundo Cutrim, ex-secretário do Roseana. Um tem Madeira, prefeito tucano de Imperatriz; outro busca Castelo, o ex-prefeito tucano de São Luís. Luis Fernando tem os latifundiários ao seu lado; Flávio tem o ex-presidente da mais violenta organização dos latifundiários contra os trabalhadores rurais, a UDR, que é Jorge Vieira [deputado federal Zé Vieira}. Um tem Roberto Costa, outro tem Weverton Rocha, ambos ex-lideranças da desacreditada UMES, dos escândalos das carteiras estudantis… Um tem os madeireiros que devastam a amazônia maranhense, outro tem um deputado que se contrapõe à demarcação das terras indígenas e ataca a Reversa Biológica do Gurupi… Ambos são opção do financiamento por parte de empresas envolvidas com denúncias de trabalho escravo e por agiotas, e por aí vai. Independentemente da trajetória pessoal de cada, os projetos políticos revelam muitas identidades e semelhanças.

A CANDIDATURA AO GOVERNO
Ressalto que não é um projeto pessoal. Somos um campo político que não está representado nas opções colocadas pelo cenário político atual no Maranhão. Somos uma alternativa que decidiu refazer o espaço político da esquerda, com suas bandeiras políticas históricas, mais atuais do que nunca agora. Em função da minha trajetória, meu nome transitou com mais leveza entre as várias correntes do partido e conseguimos uma inédita unidade interna. Como sou oriundo de movimentos sociais, empresto a minha voz ao Psol para fortalecer lutas importantes no sstado, traduzindo coerência entre discurso e prática, coisa que não ocorre entre nossos prováveis adversários.

PRINCIPAIS BANDEIRAS
Em primeiro lugar, afirmar possibilidades de uma nova política, tendo como referenciais formas de democracia direta é ética. Isso tem implicações e muitos desdobramentos do ponto de vista concreto. Significa direcionar a máquina do Estado para demandas populares a partir de decisões deliberadas em espaços coletivos de decisões. É preciso pensar no planejamento regionalizado, democrático e participativo. Isso precede o orçamento participativo, bandeira que o PT abandonou. Depois, implementar a transparência, publicizando contratos, ordens de serviços, empresas e prestadores de serviços, valor de obras, número de cargos comissionados e seus salários, criando colegiados deliberativos, a participação da sociedade civil organizada.

Em segundo lugar criar, um eixo indutor e transversal de políticas públicas para todas as secretarias. A Secretaria de Direitos Humanos deixará de ter o tradicional tratamento de menosprezo, característica dos governos dos principais grupos em disputa. Será ela a responsável pelo monitoramento do planejamento e do orçamento participativo, a partir da interlocução com os colegiados regionais. O Plano Estadual de Direitos Humanos representará o documento compromissário formal desse eixo indutor, entre governo e sociedade.

Dar exemplo de austeridade. Diminuir gastos desnecessários com o luxo e a ostentação. Rever salários do primeiro escalão, diminuir o excessivo número de cargos comissionados. Aproximar o Estado dos movimentos sociais sem a cooptação de suas entidades, fortalecendo parcerias envolvendo a promoção de direitos e o resgate da cidadania, afirmando no espaço estatal a presença de gestores qualificados para essa tarefa, com perfil especialmente técnico e acadêmico.

Investir maciçamente na Educação. Rever a política salarial de professores, reestruturar os colégios, emprestar realidade aos projetos político-pedagógicos das escolas, garantir a eleição direta para diretores, fazer da escola um espaço de articulação de várias políticas para a juventude e para a comunidade escolar. Garantir orçamento, até o limite do possível, para que isso ocorra, invertendo prioridades.

“Não incorporamos qualquer discurso de terceira via, assentado no fundamentalismo religioso e no conservadorismo político. Nós seremos a voz da esquerda classista, profundamente compromissada com as lutas anticapitalistas”

ARCO DE ALIANÇAS
Nosso campo político está bem demarcado. O Psol buscará o PCB e o PSTU, para compor a chapa majoritária, partidos com os quais pretendemos compor uma frente de esquerda, marxista e ecossocialista. Uma aliança composta por partidos pequenos, com rica trajetória ideológica: o PCB e o PSTU. Não queremos alianças para garantir tempo de TV e depois sucumbir em falsas promessas de campanha, travadas pela presença de aliados com perfis ideológicos contraditórios. Se queremos coerência entre discurso e prática não podemos subir no palaque com latifundiários, acusados por corrupção e improbidade administrativa, agiotas, praticantes de tortura, invasores de unidades de conservação e de terras indígenas e pistoleiros.

Nossa aliança principal certamente estará fora dos partidos institucionalizados: estudantes, sem-terras, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, indígenas, posseiros, vítimas de violência, sindicatos e movimentos sociais.

Pode ser utópico, mas a utopia realmente deve alimentar qualquer sonho de transformação da sociedade. É a partir dela que as coisas mudam, porque se sai do lugar. Como diria Galeano, a utopia serve para a gente caminhar.

E derrotar o grupo Sarney continua a ser o desafio histórico do povo do Maranhão. Mas essa etapa exige superação de práticas políticas, não apenas de nomes de pessoas.

Seria melhor para o eleitor se essas diferenças não estivessem encobertas por um discurso político ilusionista. Nós defendemos a reforma agrária, por isso entendemos que não podemos ter relações com a bancada ruralista e nem com as lideranças do latifúndio e do agronegócio. Como defendemos o financiamento público de campanha e rejeitamos o financiamento de empreiteiras, grandes empresas e do sistema financeiro, não podemos subir no palanque com agiotas e seus congêneres. E estamos utilizando poucos exemplos dentre as contradições visíveis desse campo político.

MENSAGEM AOS LEITORES
Eu queria deixar bem claro que nós continuaremos a lutar pela construção de um campo da esquerda programática no Estado. Nosso campo é independente da polarização estabelecida e vai negar o caráter plebiscitário das próximas eleições, assim como faremos isso no plano nacional, com o binômio PT-PSDB. No entanto não incorporamos qualquer discurso de terceira via, assentado no fundamentalismo religioso e no conservadorismo político. Nós seremos a voz da esquerda classista, profundamente compromissada com as lutas anticapitalistas, anti-racistas e ecossocialistas. Vamos reafirmar a pertinência das tradicionais bandeiras da esquerda no Brasil e no mundo, reafirmando a luta por igualdade de gênero, a liberdade de orientação sexual, o ecumenismo religioso, o laicismo, a reforma agrária, a titulação dos quilombos, a demarcação dos territórios indígenas e, sobretudo a coerência e a ética na política. Travaremos uma luta desigual, com os grandes interesses econômicos, sabemos disso, mas não abriremos mãos de princípios que orientam nossas trajetórias como cidadão de um Estado destruído por um modelo de política e de desenvolvimento excludente. Nesse sentido, é que convido o leitor e a leitora a somar conosco nessa caminhada, com Randolfe Rodrigues, nosso candidato a presidente, com nossos companheiros que constroem no dia a dia uma nova política, como o Jean Wyllys, o Chico Alencar, o Ivan Valente e Luciana Genro. Venham para o Psol.

BNC Eleições 2014