Grande Ilha - A
deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA) afirmou na tarde desta terça-feira (17/03)
que é preciso dar uma resposta ao povo brasileiro, principalmente às pessoas que
foram às ruas no último domingo (15) durante as manifestações em todo o país.
No
Plenário da Câmara dos Deputados, Eliziane Gama defendeu uma legislação mais
arrojada para combater a corrupção e destacou ainda que para atender ao clamor
das ruas é necessário fazer uma Reforma Política com participação da sociedade
civil organizada nos debates.
“Está
sobre nós a responsabilidade de dar uma resposta ao povo brasileiro. Precisamos
sair da retórica e dos discursos, e fazer o
papel do Legislativo, ou seja, fazer com que tenhamos uma legislação forte e
arrojada para combater essa atrocidade que se tem alastrado pelo Brasil, que é
a corrupção”, declarou.
A
deputada maranhense também criticou a tentativa do Governo de persuadir a
população “requentando promessas”. Ela lamentou os reflexos da corrupção e as
desigualdades sociais no país.
“Hoje o que temos no Brasil é um País com uma desigualdade
social gritante, um País com injustiça, e onde a descrença na classe política é
quase generalizada. O que temos é o ‘requentar’ de novas esperanças, o ‘requentar’
de promessas que não vão levar a lugar nenhum”, disse.
Eliziane
também pediu que o Ministro Dias Toffili (STF) atenda ao clamor popular e se
afaste dos julgamentos da Operação Lava Jato, que apura a participação de
políticos no escândalo de desvios de recursos na Petrobras.
A
parlamentar disse que como os organizadores dos protestos questionam a isonomia
do Ministro do STF, por já ter sido advogado do PT. Ela espera que o Ministro Dias
Toffili venha agir a exemplo do Ministro Marco
Aurélio de Mello que se sentiu impedido de fazer o julgamento do então
Presidente Collor.
“Gostaria de fazer um pedido ao Ministro Dias Toffoli, que acabou
sendo alvo de pedidos do povo brasileiro,paraque S.Exa., tenha
sensibilidade e se declare impedido de fazer o julgamento dessa operação. Fica
o nosso pedido. Mas se S.Exa., não vier a responder, nós esperamos que tenha a
mesma diligência, seriedade e probidade, que eu espero que o terá, como tivemos
no julgamento do Mensalão pelo Ministro Joaquim Barbosa”, enfatizou.
Eliziane
Gama finalizou o pronunciamento destacando a importância da participação da sociedade
civil nos debates sobre a Reforma Política.
“Não basta apenas fazer debate da reforma política. Precisamos
fazer o debate com a participação das entidades e da sociedade brasileira, para
que a reforma política, que será aprovada, não seja apenas o reflexo deste
Parlamento, mas que seja um reflexo dos anseios do povo brasileiro. Esperamos
que haja uma resposta para esses milhares de manifestantes”, concluiu.
São Luis – Na manhã da última quarta-feira, 5, foi realizada na Cidade
Universitária do Bacanga a inauguração da Pista de Atletismo da
Universidade Federal do Maranhão, com a presença do ministro do Esporte,
George Hilton, do governador do Maranhão, Flávio Dino, do prefeito de
São Luís, Edivaldo Holanda Junior, do reitor da UFMA, Natalino Salgado,
dos ex-atletas olímpicos brasileiros Robson Caetano, Edson Luciano,
ClaudineiQuirino e André Domingos da Silva, entre outros desportistas maranhenses.
A pista, que foi feita com investimento do Ministério do Esporte no
valor de R$ 6 milhões, possui 400 metros de comprimento e dez de largura
e tem medidas e equipamentos de padrão internacional.
Após o descerramento da placa, o atleta Claudinei Quirino, detentor
dos recordes sul-americano nos 200m rasos e de revezamento 4x100m
rasos, destacou que o esporte deve começar na escola, tendo continuidade
na universidade. Elogiou as condições da pista e o clima agradável para
a prática esportiva. “A UFMA está de parabéns por essa pista de alto
nível. Espero que se formem bons atletas aqui no Maranhão”, ressaltou.
Natalino
Salgado ressaltou que a UFMA terá agora condições de receber
competições internacionais inseridas na Rede Nacional de Treinamento de
Atletismo, tornando-se um legado com as políticas de consolidação
posteriores aos Jogos Olímpicos de 2016.“A nossa
pista de atletismo será de grande importância para mudar a realidade
social de nossos jovens, porque irá promover o interesse pela competição
esportiva e também a inserção da cultura e promoção da saúde”,
enfatizou.
O
governador Flávio Dino afirmou que o governo maranhense, assim como o
Estado Brasileiro, contribuirá com bolsa de incentivo aos atletas.
“Tenho fé e esperança que essa pista de atletismo irá contribuir de
forma positiva para os nossos jovens que buscam no esporte a realização
de seus sonhos e que sairão daqui atletas de alto nível representando
nosso Estado e País”, desejou.
Para
o Ministro do Esporte, George Hilton, é um prazer enorme presenciar o
sonho de muitos atletas de poder praticar esporte em uma pista de alto
padrão e totalmente equipada. “Esta pista permitirá que nossos atletas
não precisem se deslocar para outras capitais e até mesmo para outros
países para praticar o atletismo de alto rendimento”,destacou.
Hilton
afirma ainda, que com a criação do Sistema Nacional de Esporte, a
prática esportiva será mais democratizada e acessível para toda a
sociedade brasileira. “O
Sistema Nacional de Esporte que está sendo criado, interligará através
da União, as universidades, as vilas militares, os governos estaduais e
as prefeituras. Haverá uma verdadeira revolução no esporte social,
comunitário e educacional desse país, democratizando, de fato, o
esporte”, ressaltou.
O
estudante da Escola Presidente Médici-SESI, Marcelo Santos Lima,
natural do município de Bacabal, atual campeão de salto em altura
masculino e dos 250 m rasos dos Jogos Escolares Maranhenses (JEMs), era
um dos mais entusiasmados. “Com essa pista, o atletismo será consolidado
em nosso Estado e todos os atletas poderão ter a oportunidade de se
destacar”, disse a promessa do atletismo brasileiro.
O presidente daFederação
Maranhense de Atletismo (Fama), Márcio Miguens, prometeu corresponder a
expectativa do jovem atleta de dias melhores para o futuro da
modalidade “Vamos organizar campeonatos regionais, nacionais e
internacionais de atletismo, com apoio da UFMA”, anunciou.
Também estiveram presentes na solenidade de inauguração o secretário executivo do Ministério de Esportes, Ricardo Laser,osecretário de Esporte do Estado do Maranhão, Márcio Jardim,
o secretário municipal de Desporto e Lazer, Jerry Abrantes, o deputado
federal Cleber Verde, o deputado estadual Junior Verde e o chefe de
Departamento de Educação Física da UFMA, Mário Sevilio.
Brasília - Uma
grande aposta de Dilma deverá ser a Educação. O novo Ministro da
Educação, o ex-governador do Ceará Cid Gomes, deverá anunciar na próxima
quarta-feira medidas de grande peso para os profissionais da área.
De acordo com informações da Folha, Cid Gomes anunciará novo valor para o piso nacional dos professores do ensino básico.
Na
última sexta-feira, Cid se reuniu com secretários do MEC e, amanhã e
terça, recebe representantes do conselho de secretários estaduais e
municipais de educação, além de sindicalistas, antes de anunciar o novo
valor. O reajuste deverá ficar entre 12% e 14%.
Brasilia - De saída da pasta, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão
(PMDB-MA), comunicou sua decisão há uma semana à cúpula de seu partido, o
PMDB, e à Casa Civil. De acordo com seus colegas de partido, sua carta
de demissão já está escrita. Ele afirmou que vai retornar ao Senado
para cumprir mais quatro anos de mandato.
Diante da saída do ministro, o PMDB também se adiantou em sua lista de
pedidos. Caso a presidente Dilma Rousseff tire a pasta das mãos do PMDB,
o partido pedirá uma substituição à altura. O partido quer comandar
pastas com orçamentos fortes como Cidades, hoje controlada pelo PP, ou
Transportes, atualmente nas mãos do PR.
Por enquanto, a única ministra a entregar sua carta de demissão foi a da
Cultura, Marta Suplicy, que voltará ao Senado também para cumprir mais
quatro anos de mandato. A entrega do pedido de demissão de Marta
surpreendeu à própria presidente que está em viagem ao exterior. A
ministra divulgou sua carta nesta terça-feira (11) em sua conta, no
Facebook.
Diante dos pedidos do PMDB, Dilma terá que equacionar a acomodação de
aliados. Cidades é uma pasta cotada pelo PSD, que passou a integrar a
base governista na semana passada. Já o PR não quer abrir mão da pasta
dos Transportes e sugeriu ao Planalto no nome do suplente de Marta no
Senado, Antônio Carlos Rodrigues (SP).
Além disso, o partido de Temer tem se preocupado com a possibilidade de
Dilma deixar a pasta sob seu controle, mantendo como titular o atual
secretário executivo, Márcio Zimmermann, ou até mesmo, o ex-chefe do
gabinete pessoal da presidente, Giles Azevedo, nome que chegou a ser
defendido pelo presidente do PT, Rui Falcão.
A previsão é de que na próxima semana Dilma anuncie parte das mudanças
no seu ministério para seu segundo governo, inclusive o novo nome para
comandar o Ministério da Fazenda, ansiosamente esperado pelo mercado.
Lobão deixa a pasta diante da perspectiva de aprofundamento das
investigações da Operação Lava Jato, que apura um suposto esquema de
corrupção instalado na Petrobras. O nome do ministro estaria presente
entre os citados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo
Roberto Costa, em seus depoimentos colhidos pela Polícia Federal no
acordo de delação premiada.
A assessoria do Ministério, no entanto, diz que não comentará o assunto e
que considera a Reforma Ministerial uma pauta exclusiva do Planalto.
Além de comunicar aos colegas de partido sua intenção de sair da pasta,
Lobão também demonstrou constrangimento com as denúncias no jantar
oferecido pelo vice-presidente Michel Temer, na semana passada, no
Palácio do Jaburu, a cerca de 200 lideranças do PMDB, inclusive
recém-eleitas. Lobão esteve no jantar, cumprimentou Temer e saiu 10
minutos depois "à francesa". A falta do ministro só foi sentida quando
seu filho, o ex-senador Lobão Filho chegou ao local, perguntando pelo
pai. (do portal
São Luis - No último fim de
semana, o ministro do Trabalho e Emprego e secretário nacional do Partido
Democrático Trabalhista (PDT), Manoel Dias, esteve no Maranhão acompanhando o
deputado federal e candidato à reeleição, Weverton Rocha, em agendas na capital
e no interior do estado. No sábado e domingo, 30 e 31, os dois passaram pelos
municípios de João Lisboa, Açailândia, São Francisco do Brejão, Amarante,
Coroatá, Icatu, além de São Luís.
Logo no sábado, o
ministro e o deputado foram recepcionados na cidade de João Lisboa, onde
participaram de um café da manhã na casa da ex-vereadora Diva Gomes, e do
membro da Executiva Estadual do PDT e ex-presidente da juventude do partido, Edijahilson
Gomes. “Muito nos honra a presença do ministro, um histórico do partido, aqui
em nossa terra”, destacou Edijahilson.
Na cidade de
Açailândia, Weverton e Dias foram recepcionados pelo ex-vereador e ex-deputado
estadual, irmão Carlos, e participaram de um comício na Vila Capelosa. Na
ocasião, diversas lideranças dos municípios de Açailândia e Itinga do Maranhão reafirmaram
apoio ao projeto de reeleição do deputado federal. Manoel destacou o trabalho
que vem sendo desenvolvido por Weverton na Câmara Federal, ressaltando a
importante participação do parlamentar na votação que destinou 75% dos
royalties do pré-sal para a educação. “Será uma nova geração, com mais
oportunidades em um Brasil mais desenvolvido”, disse.
Em Amarante,
Weverton e Dias participaram de um evento no Parque do Forró, que contou com a
participação do ex-prefeito Marconi Duailibe, sete vereadores, e aproximadamente
quatro mil pessoas. Na oportunidade, as lideranças falaram sobre a difícil
situação que os amarantinos passam por conta da constante ameaça de ampliação
da reserva indígena Governador, que pode alcançar 75% do município. “Não somos
contra nossos irmãos índios, mas o que temos hoje é unicamente uma expansão
territorial da reserva, porém não há uma preocupação com políticas públicas
básicas para os indígenas e para o restante da população que é afetada”,
destacou o ex-prefeito Dr. Marconi.
Em Coroatá, logo na
manhã do domingo, Weverton e Manoel Dias participaram de uma carreata pela
cidade e de um ato público no ginásio do Colégio Dom Bosco, eventos organizados
pela jovem liderança do PDT local, professor Odair José, que contou com
expressiva participação da população.
Em São Luís, Manoel esteve no Comitê
central do deputado Weverton, onde foi recepcionado por toda a militância do
partido e pela coordenação da campanha de reeleição do parlamentar. Na ocasião,
Dias destacou a efervescência das eleições. “Vocês têm dado o molho especial que
toda campanha precisa, acreditando e tendo paixão pelo que se faz. É de luta!”.
Finalizando a agenda, à noite o
ministro, Weverton e o candidato a deputado estadual, Fábio Macedo,
participaram de um comício na cidade de Icatu, onde foram recebidos com grande
festa pela população.
O vereador
Marquinhos, jovem liderança da região, destacou o trabalho de Weverton em prol do município. “Muito antes de ser parlamentar, quando ele era assessor
no Ministério do Trabalho, já buscou contribuir com nossa região. Trouxe o
Projovem para cá, qualificando cerca de 1370 jovens”, ressaltou Marquinhos.
Weverton destacou a
importância da vinda do Ministro ao estado, e, em tom mais duro, levantou um intrigante
questionamento:
“Com um ano e meio de mandato, consegui trazer o ministro para o Maranhão, para
que ele conhecesse mais de perto a realidade do nosso estado. Já o grupo do
governo, possui vários ministros de sua sigla, porém não temos recordação de
ministros visitando o Maranhão, nem durante a campanha eleitoral. Eles têm
vergonha de mostrar como empobreceram o estado, por isso disfarçam um Maranhão
que só deu certo para a família deles”, finalizou o
deputado.
Empregoe desenvolvimento – Durante
sua passagem pelo Maranhão, o ministro apresentou um balanço positivo da
atuação do PDT à frente da pasta, com números impressionantes, como a criação
de 21 milhões de novos empregos no país e o crescimento de 82% do salário
mínimo durante a gestão Lula/Dilma. “O principal dado é a situação do pleno
emprego que o brasileiro vive hoje. O trabalho é o que traz dignidade, e junto
à educação de qualidade é o que continuará desenvolvendo o país, diminuindo as
faixas de miséria e elevando os índices positivos, tão necessários para a
melhoria da qualidade de vida”, destacou Dias.
POR DIEGO ESCOSTEGUY, COM MARCELO ROCHA E LEANDRO LOYOLA
Brasília - No final do governo Lula, um jovem e brilhante operador do mercado financeiro ascendia no rarefeito mundo da elite política de Brasília.
Era Fabrizio Neves, dono da Atlântica Asset, empresa que montara fundos
no mercado financiados sobretudo pelo Postalis, fundo de pensão dos
Correios. O Postalis era comandado por afilhados do ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão, e do senador Renan Calheiros,
ambos do PMDB. Fabrizio dava festas e promovia jantares em Brasília e
São Paulo. Num deles, contratou o cantor Emílio Santiago e um dos
pianistas que tocavam com Roberto Carlos. Colecionador de armas, dono de
bom papo, Fabrizio fez amizades com políticos, diretores do Postalis e
lobistas – a maioria deles ligada ao PMDB. Segundo seis desses altos
quadros do PMDB, Fabrizio participava também das reuniões em que se
discutia o financiamento das campanhas em 2010. Com pouco tempo de
Brasília, Fabrizio já se tornara um homem poderoso na capital.
Sobre Fabrizio, sabia-se apenas que ele morara em Miami, onde fizera
fortuna no mercado financeiro. No Brasil, ele estava em alta; nos Estados Unidos,
era caçado por credores e pelos investigadores da Securities and
Exchange Comission, a SEC, órgão que regula o mercado financeiro
americano. Acusavam-no de ser o arquiteto de uma fraude que envolvia o
dinheiro arrecadado no Postalis. A caçada judicial terminou recentemente
nos Estados Unidos, e suas consequências ainda não se fizeram sentir no
Brasil. A ascensão de Fabrizio por lá se deu com dinheiro daqui –
dinheiro dos carteiros e funcionários dos Correios, que financiam suas
aposentadorias contribuindo para o Postalis. A queda de Fabrizio
terminou por lá. Mas ainda promete começar por aqui. E isso aterroriza o
PMDB.
A história de Fabrizio, contada em documentos confidenciais obtidos por
ÉPOCA nos Estados Unidos e no Brasil, ilustra à perfeição o efeito
devastador da influência da política nos fundos de pensão das estatais. É
um problema antigo, que resulta em corrupção e prejuízos aos fundos.
Ele atingiu novo patamar no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, com a ascensão de sindicalistas ligados ao PT à direção de
fundos como Previ, do Banco do Brasil, ou Petros, da Petrobras.
O caso do Postalis, maior fundo do Brasil em número de participantes
(110 mil), é especial. Foi o único fundo de grande porte aparelhado, no
governo Lula, pelo PMDB. Por indicação de Lobão, o engenheiro Alexej
Predtechensky, conhecido como Russo, assumiu a presidência do Postalis
em 2006. Com o apoio de Lobão e Renan, o administrador Adílson Costa
assumiu o segundo cargo mais importante do Postalis: a diretoria
financeira.
Amigo de Lobão, Russo tinha no currículo a quebra da construtora Encol,
nos anos 1990. Quando diretor da Encol, fora acusado de irregularidades
na gestão. Fora também sócio de Márcio Lobão, filho de Edison Lobão,
numa concessionária que vendia BMWs. No Postalis, sua gestão resultou em
péssimos números. Dono de um patrimônio de R$ 7 bilhões, o Postalis vem
acumulando perdas significativas. Entre 2011 e 2012, o deficit chegou
a R$ 985 milhões. No ano passado, o fundo somou R$ 936 milhões
negativos e, em 2014, as contas no vermelho já somam mais de R$ 500
milhões, com uma projeção para encerrar o ano acima de R$ 1 bilhão.
A situação do Postalis é tão grave que a Superintendência Nacional de
Previdência Complementar, a Previc, responsável por fiscalizar os fundos
de pensão, avalia uma intervenção no fundo. Os auditores da Previc
estão cansados de notificar e autuar os diretores por irregularidades.
Houve, ao menos, 14 autuações nos últimos anos, a que ÉPOCA teve acesso. Os mandatos de Russo e Adílson se encerraram em
2012. Foram substituídos por novos apadrinhados de Lobão e Renan. A
presidência ficou com o PT, que indicou Antônio Carlos Conquista –
autuado pela Previc por irregularidades na gestão de outro fundo. PT e PMDB
disputam agora as decisões pelos investimentos do Postalis. A ordem
política, dizem parlamentares, lobistas e funcionários do Postalis, é
diminuir os maus investimentos. Trocá-los por aplicações conservadoras,
de maneira a evitar a intervenção.
A conexão Miami
A ascensão de Fabrizio – e da turma do PMDB no Postalis – começa em
2006. O Postalis acabara de criar, ao lado de Fabrizio, o fundo Brasil
Sovereign, que deveria negociar, nos Estados Unidos, títulos da dívida
pública brasileira. É um tipo de investimento conservador, mais seguro
para quem investe nele, embora, por isso mesmo, costume render menos. Ao
menos 80% do dinheiro do Brasil Sovereign deveria ser investido nesses
títulos. Não foi o que aconteceu. Em maio de 2006, Fabrizio, então dono
da Atlântica Asset, passou a controlar outra financeira chamada LatAm,
com sede em Miami. Cabia à LatAm operar as transações com títulos da
dívida pública brasileira. Ao banco BNY Mellon, cabia administrar e
fiscalizar as operações de Fabrizio. Em vez de fazer investimentos
conservadores, Fabrizio, dizem a investigação da SEC e uma auditoria
externa contratada pelo Postalis, fez roleta-russa com o dinheiro do
Postalis. Investia em produtos financeiros complexos e arriscados, por
meio de um instrumento conhecido como “nota estruturada”. Ao fazer as
operações, segundo as investigações, desviava dinheiro para contas
secretas de empresas com sede em paraísos fiscais. Por baixo, os
investigadores estimam que US$ 24 milhões foram cobrados indevidamente
do Postalis.
Segundo as investigações, a maioria das empresas que recebiam o
dinheiro desviado era controlada por Fabrizio. Havia uma que não era: a
conta da Spectra Trust, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, um
paraíso fiscal. Segundo a Justiça americana, a conta pertencia a
Predtechensky, o Russo, então presidente do Postalis. Um dos dirigentes
da corretora de Fabrizio, que colaborou com as investigações, disse em
depoimento que ajudou a montar as contas secretas. E que Russo fora
apresentado aos funcionários da corretora como o homem dos “fundos de
pensão brasileiros”. Em novembro de 2007, US$ 1,5 milhão foi transferido
à Spectra. Os investigadores ainda tentam descobrir o total depositado
na conta da Spectra.
Meses depois, em 11 de julho de 2008, o Postalis depositou R$ 100
milhões na conta do fundo Brasil Sovereign. Era o sexto e último grande
investimento do Postalis no fundo operado por Fabrizio. Desde que o
Brasil Sovereign começara, três anos antes, o Postalis transferira R$
371 milhões para o controle, na prática, de Fabrizio. A soma dos valores
era alta, mesmo para os padrões dos fundos de pensão das estatais. Os
investimentos passavam relativamente despercebidos por causa de uma
tática comum. Em vez de fazer grandes investimentos de uma só vez,
diretores como Russo e Adílson depositavam somas mais modestas,
distribuídas por meses – até anos. O expediente era possível graças à
larga autonomia que Russo e Adílson detinham. Podiam autorizar, sem
precisar recorrer ao Conselho do Postalis, investimentos individuais de
até R$ 120 milhões. Para efeito de comparação, diretores da Petrobras
têm autonomia para gastar até R$ 30 milhões – e, mesmo assim, com mais
limitações. A mesma autonomia existe nos fundos de pensão das outras
estatais.
Seis dias após o último depósito de R$ 100 milhões, a corretora de
Fabrizio nos Estados Unidos pagou US$ 7 milhões por uma nota estruturada
do Lehman Brothers – banco que, três meses depois, quebrou e quase
levou a economia mundial junto. Era um produto arriscado de origem que,
no mercado, já se desconfiava duvidosa (o Lehman). No mesmo dia, segundo
a investigação da SEC, a corretora de Fabrizio deu início a mais uma
fraude, que obrigou o Postalis a pagar, pela nota estruturada, mais do
que ela valia. Os documentos da SEC demonstram que a diferença, ou ao
menos parte substancial dela, foi desviada nas semanas seguintes para a
conta da Spectra, a empresa secreta de Russo, presidente do Postalis.
Nos anos seguintes, prosseguiu a prática de investir nesse tipo de
produto. Em 13 de outubro de 2009, Fabrizio, para aplacar outros
credores, entrou com um pedido de falência na Justiça americana. No
Brasil, era outra história. Dez dias antes, a corretora de Fabrizio
começara a arrecadar mais dinheiro do Postalis, desta vez com um fundo
para investir em serviços de saúde. No começo de 2010, sua corretora
recebeu R$ 2 milhões do Postalis. Em maio, as autoridades americanas
proibiram Fabrizio de continuar operando no mercado financeiro. Eram os
tempos das festas em Brasília.
Em dezembro de 2011, quando as investigações da SEC se aproximavam do
fim, Fabrizio trocou cerca de US$ 130 milhões do Brasil Sovereign por
produtos financeiros arriscados, como as tais notas estruturadas. Fez
isso sem consultar o Mellon e o Postalis, como mandava a lei. O Brasil
Sovereign, que deveria aplicar 80% dos recursos em títulos da dívida,
tinha 71% do dinheiro aplicado em papéis sem garantias de pagamento.
Dificilmente o Postalis recuperará o dinheiro. Por isso, tenta um acordo
com o Mellon, que poderia, diz o Postalis, ter evitado os prejuízos. O
Postalis quer que o Mellon pague, ao menos, R$ 400 milhões. Em fevereiro
deste ano, Fabrizio fez um acordo com a Justiça da Flórida e com a SEC.
Aceitou pagar US$ 4,5 milhões para não ir a julgamento, desde que não
desminta publicamente os achados da investigação. Os investigadores
americanos querem que ele colabore no rastro do dinheiro desviado.
O ministro Lobão afirma, por meio de nota, que conhece Russo há anos.
Russo diz o mesmo. Mas Lobão, ao contrário de Russo, acrescenta: “A
relação é de amizade”. Lobão, contudo, não admite sequer ter indicado
Russo ou os atuais diretores do Postalis. “As nomeações no Postalis são
feitas por um Conselho que atua vinculado a outro Ministério (o da Previdência)”,
diz. Sobre a relação com Fabrizio e a atuação dele nas campanhas do
PMDB em 2010, Lobão limita-se a dizer que “esteve com ele em eventos
sociais, mas não em 2010”. Márcio Lobão, ex-sócio de Russo, diz que se
mudou de Brasília para o Rio em 2000 e que, desde então, não mantém
contato com ele: “Nunca mais tive qualquer vínculo comercial, social ou
empresarial com o senhor Alexej”. O senador Edison Lobão Filho afirma
não manter qualquer tipo de relacionamento com o ex-presidente do
Postalis Alexej Predtechensky. “Não converso com esse indivíduo”, diz.
“Graças a Deus (não tenho relacionamento comercial com ele). Se
tivesse recebido algum valor dele, estaria pensando em me suicidar.”
Aparentemente, a origem da raiva é a antiga sociedade entre Alexej e
Márcio, irmão do senador, na concessionária BMW em Brasília. “Meu irmão,
muito jovem, perdeu o negócio da vida dele por causa da gestão desse
indivíduo. A BMW tomou a concessionária dele.”
Russo nega, por meio de nota, que tenha participado dos desvios descobertos pela SEC. “A offshore (Spectra Trust)
foi aberta com a intenção de adquirir um imóvel nos Estados Unidos. A
aquisição do imóvel não ocorreu, a empresa nunca realizou nenhuma
movimentação”, diz ele. Russo disse que “nunca determinou” a abertura da
conta bancária em nome da Spectra Trust, que recebia dinheiro após as
operações ilegais. “A conta foi aberta de forma fraudulenta. Não tinha
conhecimento nem da abertura da conta nem de movimentação nela.” Diz que
nomeou advogados, no Brasil e nos Estados Unidos, para apurar o fato e
afirma desconhecer “a origem e destino desses recursos e aguardar as
apurações das autoridades competentes nos Estados Unidos para tomar
medidas judiciais cabíveis”. Russo enviou a ÉPOCA um laudo produzido nos
EUA por uma perícia independente. Segundo a interpretação de Russo,
esse laudo comprova, por meio da análise das assinaturas usadas na
abertura da conta, que a letra usada não era dele. O laudo aponta
inconsistências, mas não afirma que houve fraude. Diz ainda ser
“provável”que a assinatura seja mesmo de Russo. Russo não forneceu a
ÉPOCA os documentos analisados.
Tanto Russo quanto Adílson, então diretor financeiro do Postalis,
defendem a decisão de investir no Brasil Sovereign. “O investimento
atendia aos requisitos legais e ao que determinava a legislação e a
política de investimentos aprovada em conselho”, dizem ambos, em nota. O
Postalis, por meio de nota, afirma algo parecido: “A decisão pelo
investimento foi da Diretoria Financeira à época e seguiu os
procedimentos e normas do Instituto. As aplicações estavam em
conformidade com as regras e limites previstos nas Resoluções do
Conselho Monetário Nacional e a Política de Investimento do Postalis”.
Na nota, o Postalis afirma ainda que trabalha para resolver o mico:
“Assim que tomou conhecimento do assunto, a Diretoria Executiva ajuizou
protesto interruptivo de prescrição. Além disso, contratou escritório de
advocacia nos EUA para a adoção de medidas cabíveis em defesa dos
interesses do Instituto”.
O Mellon, que administrava o Brasil Sovereign em nome do Postalis,
prefere não dar explicações sobre o caso. “Apesar de não podermos
comentar assuntos específicos de clientes, ressaltamos que levamos a
sério nossas responsabilidade e estamos focados em fornecer aos nossos
clientes serviços de qualidade e em ganhar sua contínua confiança”, diz o
Mellon em nota. Pelo acordo que fez com a Justiça americana, a que
ÉPOCA teve acesso, Fabrizio não pode comentar, muito menos negar
publicamente, as fraudes investigadas pela SEC no Brasil Sovereign. “Não
vou falar”, diz, mesmo quando questionado sobre sua relação com Russo e
o PMDB. Brian Miller, advogado de Fabrizio nos EUA, não respondeu às
ligações de ÉPOCA.
O Postalis minimiza as autuações da Previc a seu atual presidente,
Conquista. “Autuação não é condenação. No caso do Postalis, o único auto
de infração imputado ao presidente foi julgado improcedente. No que se
refere à GEAP, não há decisão administrativa definitiva, sendo que um
dos autos também já foi divulgado improcedente”, diz o Postalis.
A ascensão de Miltinho
Enquanto Fabrizio caía em desgraça, o lobista Milton Lyra, ligado a
Renan e conhecido como Miltinho, ascendia em Brasília. Criou relações
com Russo e Adílson. Miltinho organizou um investimento que deu
prejuízos ao Postalis. Em 2010, o grupo Galileo Educacional foi criado
para tentar salvar a universidade Gama Filho da bancarrota. O Galileo
emitiu R$ 100 milhões em debêntures, títulos em que a empresa paga juros
no futuro a quem a financia. A garantia eram as mensalidades do curso
de medicina, o mais respeitado. O Postalis investiu R$ 75 milhões no
Galileo. Dois anos depois, Miltinho tornou-se diretor do Galileo. No ano
passado, o Ministério da Educação descredenciou a Gama Filho, e
milhares de estudantes ficaram sem aulas, sem diploma e, claro, não
pagaram mensalidades. O grupo Galileo está quebrado, com uma dívida de
cerca de R$ 900 milhões.
Também em 2010, Russo e Adílson fizeram outra operação questionável
para o Postalis. A dupla vendeu a sede do Postalis, em Brasília, a
cunhados de Miltinho, por R$ 8,2 milhões. O negócio foi feito em nome de
uma empresa criada seis meses antes. Phelipe Matias, um dos cunhados,
afirma ter faturado cerca de R$ 1,2 milhão em aluguéis antes de revender
o prédio. Agora, o Postalis paga R$ 139 mil de aluguel para ficar no
mesmo lugar. A Previc autuou o Postalis pela operação. Por
irregularidades, a Previ aplicou a Russo e Adílson multas de R$ 40 mil e
os inabilitou por dois anos.
O Postalis diz que “desinvestir em imóveis foi uma decisão estratégica
do Instituto”. Afirma que, na venda do edifício-sede, houve concorrência
e que a proposta dos cunhados de Miltinho era a melhor. Renan confirma
que conhece Miltinho, mas não informa se fizeram ou mantêm negócios em
comum.
São Luis - O
Ministro da Educação, Henrique Paim, e o reitor Natalino Salgado inauguraram,
ontem, duas obras na UFMA consideradas um marco na história da instituição: o
Centro Pedagógico Paulo Freire, o mais novo complexo educacional da
Universidade, e o Centro de Convenções, o maior espaço para eventos do
estado.O Ministro ressaltou, na
solenidade, a importância da Universidade dentro do contexto educacional do
Maranhão. “A UFMA, mesmo dentro de um estado com índices educacionais
preocupantes, tem se mostrado uma universidade exemplo para o país.
Incentivando, colaborando e participando da formação de educadores, a
Universidade contribui para o avanço do estado. A inauguração de um prédio com
o nome do educador ‘Paulo Freire’ mostra o respeito com a educação no país”,
exaltou.
Durante
a sua passagem por São Luís, para participar da reunião extraordinária do
Conselho Nacional de Educação, o ministro, aliás, fez questão de destacar o
papel da UFMA na melhoria da educação no estado. “A
UFMA é um exemplo de inclusão da população no ensino superior, visto que a sua
expansão para o interior tem melhorado o acesso dos estudantes à Universidade”,
atestou para a uma atenta plateia, no Hotel Luzeiros.
De 2003 para cá, as vagas para as universidades federais
foram triplicadas. A criação do Exame Nacional do Ensino Médio, segundo o
Ministro, além de programas como o Fundo de Financiamento Estudantil
(FIES)contribuíram para esse aumento no
número de vagas ofertadas.
Para
o reitor Natalino Salgado, a visita do ministro da educação a UFMA é um
reconhecimento ao trabalho e reforça as ações desenvolvidas na Universidade. “São
dois grandes centros para a comunidade acadêmica, que já estão em pleno
funcionamento recebendo, inclusive, eventos importantes de cunho nacional e
internacional”, disse.
Paulo
Freire – O Centro Pedagógico Paulo Freire, o maior complexo educacional da Universidade Federal do Maranhão, ocupa
uma área de 14 mil e 550 metros quadrados. Começou a ser construído em junho de 2009 e concluído em janeiro de 2013. O prédio está
distribuído em três pavimentos, conta com 60 salas de aula para alunos do 1º ao
3º períodos de vinte cursos, um
auditório central para 500 pessoas; três mini auditórios para 100 pessoas cada;
um salão de exposição; restaurante; cantina; salas para coordenação e
secretarias de cursos. A obra custou R$ 17 milhões, 226 mil e 827 centavos, com
recursos do MEC/UFMA.
Centro de Convenções - Maior espaço de eventos do Maranhão, a obra teve início em janeiro de
2011 e término em novembro de 2013. Possui uma área de oito mil e 802 metros
quadrados, com capacidade para mais de cinco mil pessoas, quatro mini
auditórios, para 100 pessoas cada; cozinha industrial; cantina; salas de
administração; almoxarifado; sala de som e setor administrativo. A obra custou
R$ 14 milhões e 588 mil e 573 centavos.
Crimeia - O ministro da Defesa ucraniano, Igor Teniuj, assegurou hoje (9) que
não pretende enviar tropas para a república autônoma ucraniana da
Crimeia, território que está, na prática, sob domínio de forças
pró-russas. “Não estava, nem está previsto qualquer movimento ou
destacamento das forças armadas [ucranianas] para a Crimeia”, disse,
segundo a agência russa Interfax.
O ministro informou que o exército ucraniano realiza manobras de
rotina para verificar a sua capacidade de combate, e podem ocorrer
movimentações de algumas unidades em áreas destinadas ao exercício de
tiro e manobras da artilharia.
Cresceu o número de denúncias sobre a ocupação de instalações
militares e de postos fronteiriços da Crimeia por indivíduos armados,
mas sem identificação, supostamente membros do exército russo.
Um grupo de autodefesa da Crimeia colocou minas em uma barragem
localizada na zona norte da república autônoma, informou o chefe do
centro de investigações políticas e militares da Ucrânia, Dmitri
Timchuk.
O ministro denunciou também que as patrulhas de autodefesa
pró-russas, que ocuparam a estação ferroviária da capital da Crimeia
(Simferopol), estão registrando todos os passageiros procedentes de
outras regiões ucranianas.
Mais de 30 caminhões militares sem matrícula de identificação e um
carro de transporte blindado entraram em território ucraniano, a partir
da vizinha Rússia, pela fronteira marítima do estreito de Kerch,
indicaram os serviços fronteiriços ucranianos.
As autoridades da Crimeia não reconhecem o novo governo de Kiev e
defendem o regresso de Viktor Ianukóvitch ao poder. Ele foi destituído
em fevereiro e está refugiado na Rússia. Na quinta-feira passada o
parlamento autônomo da Crimeia anunciou um referendo sobre uma união da
península à Rússia.
Reunião entre José Eduardo Cardozo e Roseana Sarney. (Foto: Hans von Manteuffel / O Globo)
São Luis – O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reuniu-se nesta quinta-feira com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para discutir uma ação conjunta para tentar amenizar a situação nos presídios do estado, onde foram registradas 60 mortes de detentos. Em sua primeira aparição pública em entrevista depois que criminosos atearam fogo em ônibus, causando a morte de uma menina de seis anos, a governadora disse que foi pega de surpresa pelas atrocidades e fez uma análise curiosa para justificar o aumento da violência no estado e nos presídios: para ela, isso vem ocorrendo porque o Estado, um dos mais pobres do país, está ficando rico.
- O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes – justificou a governadora.
Roseana disse que em 2012 foram registradas quatro mortes no sistema penitenciário maranhense e, até setembro do ano passado, 39.
- Até setembro estava dentro do limite que se esperava – declarou, argumentando que as mortes ocorreram apenas em uma unidade do complexo de Pedrinhas, onde duas facções disputam o domínio do tráfico e da cadeia, matando seus rivais, inclusive decepando cabeças.
De acordo com a governadora, sua administração investiu em novas unidades prisionais e na melhoria ao atendimento ao preso.
- Nosso sistema de saúde é muito bom para os presos – afirmou, para complementar: – Nosso presídio feminino é um exemplo para todo o Brasil.
Roseana, assim como o ministro da Justiça, fizeram questão de lembrar que outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Alagoas e Rio Grande do Sul também enfrentaram uma onda de violência comandada por detentos e que o governo federal ajudou os outros governadores. Segundo a governadora, apesar das mortes, seu governo não cometeu nenhum ato contra os direitos humanos. A ONU, porém, pede uma investigação sobre o assunto.
- Não cometemos nenhum crime de direitos humanos por parte do governo. Mas temos de ser mais atentos – admitiu.
Ao ser perguntada sobre a intenção do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de pedir a intervenção no Estado por conta da violência, Roseana afirmou que não acredita nessa hipótese e passou a enumerar uma série de obras e ações que sua gestão tem feito.
- Eu não acredito que ele vá pedir a intervenção porque estou cumprindo meu dever. O Maranhão está indo muito bem. Talvez seja o único estado do Brasil que vai ter todas as suas cidades interligadas por asfalto.
Ela se irritou quando uma repórter perguntou ao ministro José Eduardo Cardozo por que a presidente Dilma Rousseff e mesmo ele não haviam se manifestado até o momento sobre os problemas no estado administrado pelo clã Sarney.
José Eduardo disse que o governo se manifesta de forma concreta e procura ajudar Estados administrados pela oposição e por políticos que apoiam o governo. Mas Roseana, exaltada, disse que não é certo falar em família.
- Não existe família. Eu sou a governadora. Quem manda aqui não é a família, sou eu. Vocês querem penalizar a família, mas eu, Roseana, sou a responsável pelo que acontece no Maranhão – afirmou, sendo aplaudida por parte da mídia que apoia seu governo.
As ações anunciadas pelo ministro da Justiça e pela governadora, porém, não têm um impacto imediato – exceto pela transferência de presos para penitenciárias federais, que José Eduardo recusou-se a dizer quando se dará, quantos serão transferidos e para onde.
Entre as ações está prevista a criação de um comitê de gestão, comandado por Roseana, mutirão da Defensoria Pública para ver os presos que podem deixar os cárceres, interligação do sistema de inteligência, criação de um núcleo de atendimento prisional, melhoramento no atendimento à saúde, capacitação de policiais e implantação de alternativas penais e monitoramento eletrônico.